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russomanias

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1º de Maio... a trabalhar!...

Passei hoje de manhã perto das instalações da RTP no Monte da Virgem, em Gaia, e lá estava um grupo de trabalhadores a protestar contra os donos dos Hipermercados, que teimam em ter as portas abertas no feriado do 1º de Maio, dia do trabalhador em todo o mundo. É claro que os inteligentes e espertos "empreendedores" da distribuição sabem-na toda e logo nos dirão que se o "dia do amor" é para amar e o "dia do beijo" é para beijar, logo o "dia do trabalhador" mais não é do que um dia como os outros... para trabalhar! E o pessoal, pacato e pachorrento como é, lá se tem comovido com estas e outras asserções e tem alinhado no postulado de fé que envolve toda a lógica capitalista que respeitamos e aceitamos e, mais até, adoramos: pois se há alguém que no dia 1º de Maio procura comprar uma garrafa de Coca Cola bem fresquinha, lá terá de haver um outro que lha possa vender com proveito, sem restrições nem imposição de horários de qualquer espécie. E é esta Lei, justa ou injusta, não interessa, que hoje comanda o mundo e faz mover mercados. E não é à toa que o principal dono do Pingo Doce só gosta de montar os seus negócios de distribuição nos países a que ele chama de "católicos", pois nesses, e agora dizemos nós, desde pequeninos que nos ensinam a obrigatoriedade de acatar, sem contestação, a Lei do Senhor.

 

E sabem que mais? Eu até acho muito bem, muito bem mesmo, que no Dia do Trabalhador o pessoal "trabalhe" mesmo até à exaustão, que trabalhem todos afincadamente nas suas empresas e nas ruas e façam uma grande algazarra para exigir salários compatíveis com os dos restantes países europeus, que denunciem os falsos contratos a prazo e os também falsos recibos verdes, que exijam ruidosamente o pagamento dos salários em atraso e a pré-reforma dos trabalhadores desempregados de longa duração com mais de 55 anos, que exijam do Governo o retomar do pagamento do abono de família para os casais com filhos, a devolução dos cortes nas reformas e a sua actualização condigna, a aposta em força na formação e educação dos jovens e adultos que já estejam ou queiram voltar à escola ou à universidade, com a redução ou eliminação total das propinas e, já agora, que o presente Governo crie condições para um funcionamento cabal e satisfatório do Serviço Nacional de Saúde e que os nossos idosos e os restantes cidadãos sejam tratados com o respeito e a dignidade a que têm direito e que vêm expressos na Constituição Portuguesa, na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Convenção Europeia dos Direitos do Homem.

 

Por aqui se vê o tanto que há para "trabalhar" neste 1º de Maio!...