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russomanias

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A estranha lição de Direito do Professor Marcelo

Geralmente, para quem estiver atento, aprende-se muito com os pequenos pormenores da vida social e política das chamadas "figuras públicas". Por detrás da auréola dourada de grande sagacidade e dotes premonitórios de quase todas elas, por vezes conseguimos encontrar os traços mais característicos da verdadeira personagem que pretendemos ou temos necessidade de conhecer. E aí sim, na posse do pequeno pormenor, da faceta mais escondida, dos pequenos traços à partida sem relevância, conseguimos aproximar-nos daquilo que será o verdadeiro homem ou mulher que nos têm andado a vender ou a impingir. Vem esta introdução a propósito do descontraído e coloquial comentário de ontem do Professor Marcelo Rebelo de Sousa, no Jornal das 8 da TVI. A determinada altura disse o Ilustríssimo Professor: "Eu tenho em relação a José Sócrates e à sua relação financeira com Carlos Santos Silva uma posição muito crítica do ponto de vista político e do ponto de vista ético. Para um primeiro ministro, ou ex-primeiro ministro, esse tipo de ligação, por muito amigos que sejam há muito tempo".

 

Vindo aquela afirmação sobre José Sócrates da parte de um Ilustre Professor de Direito conhecido em todo o país, efectuada através de um poderoso orgão de informação, ela só pode ser intrepretada como uma sub-reptícia sentença, uma declarada condenação na praça pública do ex-primeiro ministro socialista. Dito isto, ao Ilustre Professor Marcelo cabe-me colocar duas questões: ) Para o Professor quem tem competência em Portugal para administrar a justiça em nome do povo, os orgãos de informação ou os tribunais? ) O Professor Marcelo já algum dia terá ouvido falar no princípio da presunção de inocência, em que alguém só poderá ser declarado culpado através de sentença do tribunal, transitada em julgado?

 

Bem sei que se algum dia tiver oportunidade de me apanhar à sua frente em algum vetusto Salão Nobre me vai dar um grande chumbo, para eu aprender de vez a não me meter com gente alaranjada "graúda", mas até lá tenho muita pena... deixo-lhe nas mãos aquelas duas!...