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russomanias

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A minha Mãe e eu

É sempre muito difícil falarmos da nossa Mãe, daquela que nos embalou e amou como se fossemos a única e a mais importante coisa do mundo a defender e a proteger. Dia da Mãe para mim é todos os dias e não há um único dia do ano em que a sua imagem não passe por mim, mesmo que ao de leve ou a correr. Nunca poderia dedicar-lhe um só dia, porque Mãe é todos os dias nem que seja só em sonhos, nem que seja só em pequenos laivos de lembranças de pequenas coisas de criança. Não há dia que passe sem aquela imagem de carinho e preocupação ao deitar ou ao levantar, "vá, filho, cobre-te bem, está muito frio, vou trazer-te leite quente para não ficares doente", ou então "tem cuidado, não andes a jogar à bola com os sapatos novos, olha que eu e o teu pai passamos muitos sacrifícios para tos comprar", e lá ia eu, sem nada ouvir, precisamente jogar à bola... com os sapatos novos.

 

Já não ter Mãe, como eu, em nada nos faz aliviar das recordações que nos estarão para sempre gravadas no subconsciente, antes pelo contrário, fica-nos sempre a dúvida se teremos feito ou não tudo o que pudemos para lhe agradecer, mesmo que por poucas palavras ou ligeiras acções, o quanto nos deu e o quanto padeceu para nos criar. É claro que não me refiro aqui àquelas grandiosas e dispendiosas festas tipo "50 anos de casados", em que é mais a barulheira e a confusão do que um verdadeiro momento de carinho e agradecimento. Refiro-me acima de tudo àqueles momentos em que pude dedicar-me verdadeiramente à minha Mãe quase em exclusividade, dando-lhe toda a atenção e carinho, preocupando-me quase só com ela, um dia, dois, três, um mês, dois, um ano, vários e vários anos seguidos, até mo permitirem circunstâncias menos felizes e imprevistas da vida.

 

Por isso, Dia da Mãe para mim é todos os dias, pois é todos os dias que a sua imagem passa por mim e é todos os dias que a recordo e venero, nem que seja só para lhe dizer... "Obrigado Mãe"!...