Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

russomanias

russomanias

Apologia da mentira

Mentir politicamente é fácil. Sustentar uma mentira por muito muito tempo já não é tão fácil assim, pois isso dá algum trabalho, requer habilidade e capacidade de persuadir e convencer os outros. Também é preciso ter sorte, não vá aparecer por aí alguém suficientemente capaz e perfeito conhecedor da verdade que se pretende urgentemente esconder. Noutros tempos, no campo estrito da batalha política autoritária e antidemocrática, isso era mais fácil de resolver, mandando-se o espertinho fazer um estágio prolongado em algum daqueles "gulags" distantes e enregelados, onde dez ou quinze anos da mais pura e dura pá-e-pica eram mais do que suficientes para o fazer esquecer "verdades" inconvenientes. Em casos extremos, sustentar uma mentira obrigaria então a fazer desaparecer do mapa a perigosa doença contaminadora que propalava a verdade, pelo que mandar matar o perigoso bicho trazia como recompensa acabar-se com a inoportuna peçonha.

 

Nas chamadas democracias a cantiga contudo já é outra. O mentiroso, para sustentar a sua posição, já quase que só tem a repercusão sonora do aparelho que o sustenta e toda a parafrenália tecnológica dos meios de comunicação. Claro que se algum "esperto" se lembrar de dar com a lingua nos dentes, sempre lhe será retirado o tão amado e recompensado emprego ou então, se o "esperto" for já demasiado perigoso, uma suculenta promoção para algum ministério será mais que suficiente para o fazer calar por mais algum tempo. E as massas, como se "embrulham" as instáveis massas? Aqui o caso é mais bicudo, mas não é impossível. As massas esquecem rápido as ofensas e as anteriores mentiras, alegram-se e voltam a confiar em troca de umas quantas "promessas" bem urdidas e diariamente repetidas. As massas querem sempre alguma coisa mas não são excessivamente exigentes. As massas, como douta e semanalmente ensina o profícuo e catedrático professor Marcelo Rebelo de Sousa, querem é principalmente "esperança". Então, é só o mentiroso dizer, repetir e voltar a dizer: "não vamos cortar mais nas pensões", "o desemprego está e vai continuar a diminuir", "já criamos 175.000 novos empregos e vamos criar ainda mais", "votem em nós, deêm-nos a maioria, pois os próximos quatro anos vão ser melhores".

 

Mentir em política pode não ser bonito... mas em Portugal é altamente lucrativo!...