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russomanias

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Burros, jericos e outras cavalgaduras

Segundo o jornal Económico de ontem, as grandes empresas portuguesas e algumas multinacionais estão descontentes com a falta de liderança nos nossos jovens, situação na sua força de trabalho que pelos vistos dificulta os seus desígnios de expansão e domínio nos mercados. As grandes empresas consideram assim urgente adaptar o ensino profissional - do 10.º ao 12.º ano - às suas necessidades de recrutamento, pelo que dado o facto de o ensino profissional em Portugal ter sido destruído e o pouco que dele resta andar pelas horas da amargura, está-se mesmo a ver que as grandes empresas vão continuar ainda a barafustar por muito mais tempo. Mas, independentemente de os jovens de hoje terem ou não à sua disposição um verdadeiro ensino profissional que os prepare para a vida, e que na verdade não têm, a realidade é que quem trabalhou já em alguma "empresa" digna desse nome sabe perfeitamente que os conhecimentos de uma qualquer escola profissional são mais que insuficientes para permitir aos jovens a tal capacidade de liderança de que falam as grandes empresas, já que a maior parte desses conhecimentos são adquiridos através da... experiência.

 

E aqui, como dizia o meu saudoso avô António, é que "a porca torce o rabo". Então as grandes e médias empresas deste país andam há anos a empurrar pela porta fóra os seus profissionais mais capazes e experientes e a colocar no seu lugar "meninos" e "meninas" sem qualquer tarimba, pagos alguns abaixo do ordenado mínimo, e agora vêm queixar-se da falta de "liderança" dos jovens? É que, como também dizia o meu avô António, "quem tem burro e anda a pé bem burro é". As grandes empresas portuguesas têm é que aprender com as empresas dos restantes países desenvolvidos da Europa, pois são muitos os portugueses que para lá emigraram já com mais de 50 anos de idade e a pergunta que essas empresas lhes fazem é se se acham capazes de exercer o cargo para que concorrem, sem se importarem com a idade que tenham.

 

Ora, como toda a gente sabe, em Portugal alguém com mais de 30 anos de idade para essas empresas já é "velho", pelo que se o meu saudosíssimo avô António fosse hoje ainda vivo, sem esta não passavam... "seus jericos"!...