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russomanias

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Carta aberta de um português suave à chanceler alemã Angela Merkel

Antes de mais quero dizer-lhe que aprecio a forma calma e suave como costuma habitualmente abordar as questões mais ponderosas que actualmente preocupam o seu país e a Europa. Certamente que isso terá a ver com o facto de ter vivido, ainda no tempo da extinta RDA, naquela pequena mas encantadora cidade de Templin, no estado de Brandenburg, local que felizmente tive a sorte de conhecer e admirar, tanto pelas suas interessantíssimas relíquias do passado, como pelas águas calmas e relaxantes dos seus inúmeros lagos. Mas, como compreenderá, não foi necessariamente derivado a isso que me decidi a escrever-lhe esta pequeníssima carta, antes foi o facto de me sentir nessa obrigação por me considerar cidadão de Portugal e da Europa no pleno gozo dos seus direitos, já que até hoje também jámais me coibi de cumprir com as minhas obrigações. O que me levou a escrever-lhe foi antes o facto de, como português e do sul da Europa, me sentir ultrajado nas perspectivas da contrução de uma Comunidade Europeia em que todos os países que a compõem, e os seus respectivos cidadãos, são tratados com base nos princípios fundamentais da concretização de uma sólida e verdadeira paz duradoura, da unidade, da igualdade, da liberdade, da segurança e da solidariedade.

 

Ora, como poderá a Europa dar seguimento a tais princípios se a Alemanha se apossou dos comandos da Comunidade e enceta, todos os dias, políticas destinadas a fortalecer egoisticamente a economia do seu próprio país e a deixar para trás todos os restantes? Como poderemos continuar uma política de paz na Europa se uns países são beneficiados e protegidos, enquanto outros, como Portugal e a Grécia, são estrangulados económica e financeiramente por imposição da Alemanha? Como poderemos ter uma Europa unida quando a Alemanha beneficia de uma moeda que a torna rica e poderosa, enquanto nos restantes países, nomeadamente nos do sul, aumenta o número de pobres na ordem dos milhões? Tendo em conta tudo isto, em que pé fica o princípio da igualdade?... e o da solidariedade?... e o da liberdade, quando há crianças e adultos que vivem na extrema miséria?... Como pode a Alemanha, em países como a Grécia e Portugal, impor a compra dos seus submarinos, que custaram fortunas colossais, enquanto nesses dois países milhões de pessoas lutam contra a fome e a pobreza? Como pôde a Alemanha permitir que centenas de milhões de euros disponibilizados pela Comunidade Europeia para prosseguir políticas de desenvolvimento nos países com mais dificuldades, como Portugal e a Grécia, fossem parar aos bolsos das elites corruptas que têm governado esses países? 

 

É claro que sei que tem andado muito ocupada e muito dificilmente me dará uma resposta atempada. E também sei que poderá ser tentada a dizer que sou um português provavelmente influenciado pelo Syriza da Grécia ou pelo Podemos de Espanha, o que não é verdade dado que em Portugal não temos nada disso... só Futebol!...

 

Adeus!... auf Wiedersehen!...