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russomanias

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De domingo de Ramos a segunda-feira de Páscoa

Já lá vão uns anitos em que o período da Páscoa não passava de duas ou três novidades a mais nas nossas vidas e tudo o resto se resumia à mesma calmaria e pasmaceira do costume. No domingo anterior à Páscoa, domingo de Ramos, lá andavam os miúdos e miúdas todos bonitinhos, de fatinho ou vestido bem limpinhos, pela rua fóra e com os raminhos destinados às madrinhas e padrinhos. Não me lembro de ter andado nas mesmas poses, mas não descarto a possibilidade de me terem então cantado nessa altura a necessidade de tal deambulação demonstratória da nossa lembrança e dedicação aos que cá estavam, em caso de necessidade, em vez dos nossos pais e mães. O dia de Páscoa já era mais movimentado e interessante para nós, pois a mesa já era posta de outra forma e era certo que o almoço desse dia não passava sem um bom assado de cabrito, levado ao ponto no forno a lenha da padaria mais próxima. Claro que o dia não começava assim tão interessante, pois antes teriamos que ir à missa no Seminário dos Padres Redentoristas e, de seguida, e ainda antes de afinfar com faca e garfo nas suculentas e bem louras batatas assadas, teriamos que esperar pela nesse dia sempre presente campaínha do Compasso e beijar devidamente, sob pena de excomunhão assegurada, os pés do Senhor na respectiva cruz. De dar a nota ou moedinhas obrigatórias ao manda-chuva do Compasso lá cuidavam o meu pai ou a minha mãe, e era se queriam, pois naqueles tempos os putos não eram fartos de algibeira como agora.

 

Hoje em dia as coisas estão mais democratizadas e assiste e recebe o Compasso quem quer, sem perigo algum de fazer parte de alguma Lista VIP de insubordinados a excomungar por não se ter estado presente à celebração da Ressurreição do Senhor. É claro que o pessoal hoje em dia anda muito mais expansivo e nervoso com toda esta azáfama da Páscoa, pois há que colocar as malas no carro e carregar no prego urgentemente para o Algarve, sem antes esquecer de comprar o Pão de Ló do Pingo Doce que, não sendo igual ao de Margaride, não lhe fica longe e o preço então é de arrazar. Convem ainda não esquecer de aproveitar e comprar lá também o de ovos moles, coisa digna de um manjar dos deuses, sem necessidade nenhuma de se ter de fazer fila nas estreitas entradas de Ovar.

 

Hoje de manhã, certamente por ir nas pressas para a fila do camarão e da cerveja, no Jumbo, um desses putos com o bonésinho virado ao contrário quase que me destroçava o carro com uma manobra de ultrapassagem ultra-perigosa. Meu Deus, quase que ia desta!... e vá lá, ainda me safei de uma outra muito boa, pois quando ía a entrar na auto-estrada, no Nó do Fojo, quem vai para o Porto, ainda fui a tempo de conseguir evitar entrar na mesma, já que as três faixas da dita Avenida dos Hipermercados se encontravam totalmente superlotadas e, muito melhor, completamente paralizadas. Eram duas ou três horas a "bronzear" ao sol, pela certa, dentro do carro... muito longe do Algarve!... concluí, depois de toda estas "pressões" inusitadas, que no tempo das lourinhas batatas assadas da minha rica mãesinha era tudo um pouco mais calminho. Ufa!...

 

PÁSCOA FELIZ!...