Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

russomanias

russomanias

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

JUSTIÇA - Nem sei por que é que me dou aqui à chatice de vir falar sobre Justiça, pois todos sabem que muito mais rentável e mobilizador é falar sobre as vidinhas preenchidas e empolgantes da Cristina Ferreira ou do Mickael Carreira. Aquilo sim, são assuntos da ordem do dia, onde todos nós aprendemos que quanto menos e pior se fala mais sucesso e admiradores temos. Já quanto à tal dita Justiça, nunca é por demais referir que vivemos num país em que a dita cuja é um bem a todos acessível, em perfeita igualdade de circunstâncias e independentemente do meio social de onde se vem. Assim, seja pobre, remediado ou rico, cada português pode muito bem dizer que sempre contou e contará com a Justiça inteiramente a seu lado, se bem que algumas histórias que por aí se contam nem sempre corroborem esta afirmação.

 

É claro que muita gente por aí diz que só quem tem unhas toca guitarra, pelo que será de concluir também que só quem tem dinheiro pode tocar a Justiça para a frente, ou não será assim? Todos sabem que quem tem dinheiro e amigos bem colocados no poleiro sempre poderá contratar uma catrapazada de advogados e, consequentemente, engendrar e escrevinhar recursos atrás de recursos, protelando a dita Justiça "sine die", até à prescrição dos supostos crimes de corrupção, fraude fiscal ou branqueamento de capitais. E é vê-los depois por aí, aos que têm a tal maquia quanto baste, a gozar com o pessoal e a chaparem-nos na cara com a deixa de que afinal... o crime compensa. Quanto ao Zé do Boné, aquele azarado laparoto que perdeu o emprego e em má dia de sorte se lembrou de deitar a mão a um chouricito jeitoso que estava bem quietinho na prateleira do Pingo Doce, esse terá de pagar as favas bem pagas, sem tossir nem mugir. Como podem constatar, melhor Justiça não poderá haver, pois sempre será de se deitar mão do famoso princípio da proporcionalidade, em que quem mais tem mais  "esquemas" possui ao seu dispor, e quem menos tem lá terá de se aguentar ao tranco como sempre... e assim sucessivamente.