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russomanias

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Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

POLÍTICA  -  É verdade que tu e eu já ouvimos algumas vozes agoirentas dizer para nos deixarmos disso de política, que a política não nos leva a lado algum e que, pelo contrário, só nos poderá trazer problemas. Claro que o pessoal que tiver já uns anitos de tropa, como é o meu caso, não deixará de dar a essas vozes do passado alguma razão, só alguma, pois não vai ainda há muitos anos que falar contra o Governo ou mandar uma bocas foleiras contra a guerra colonial dava choça pela certa. Mas agora não, tudo isso mudou. Hoje em dia não se encontra futuro mais garantido que entrar a fundo na política, mas tudo deve acontecer desde muito novinho, pois que entrar já meio carcaçola na política não dá, a memória e o jeito para apanhar todos aqueles truques já não funcionam. Claro que não falamos aqui daquela política que se aprende nas Universidades, a chamada Ciência Politica, que essa não vem aqui para o caso e não levará os nossos ávidos pequenos a lado algum, a não ser talvez, e com algum empurrãozinho de sorte, a um mais que duvidoso papel de comentador ou escrevinhador, a um outsider da política, nunca a um aproveitador da política, no sentido estrito da palavra. Não, do que nós aqui falamos é de exercício da política no sentido partidário do termo, mas cuidado, não num partido qualquer, terá de ser da área do chamado "arco do poder", daqueles que volta e meia chegam ao "poleiro", abusam dele e caem, mas passados quatro anos e umas quantas "estórias" atamancadamente contadas, lá voltam eles de novo ao apetitoso "bem bom"!...

 

Não nos venham agora cá dizer que existe melhor profissão no mundo que ser político, pois sendo certo que os vencimentos de um Presidente, de um Ministro, de um Deputado ou de um Autarca não são nada do outro mundo, não nos devemos esquecer do que vem depois de deixarem a política, aqueles ordenadões de 40.000 €/mês na EDP, aqueles "empréstimos" esquecidos no BPN, aqueles empreendimentos turísticos em Cabo Verde, aquelas "comissões" pela venda dos submarinos alemães, aqueles milhões de euros depositados na Suiça e sem declarar ao Fisco, aquelas belas e frondosas "quintas" no vale do Douro, aqueles gabinetes, altas e elegantes secretárias, grandes carrões e respectivos motoristas, eficiente polícia à porta de casa 24 horas por dia, tudo pago pelos cofres do Estado. Meus Senhores, haverá mais bela, aprazível e rentável profissão que a de um político?

 

Contudo, dir-me-ão vocês: e se em vez de um final feliz tudo descambar num vergonhoso "estágio" forçado num qualquer Estabelecimento Prisional de Évora?... jamais haverá "investimento" sem risco, não é o que dizem os avisados compêndios de Económica Política!?... ora essa!... queriam tudo de borla, não?... arre, que o que é de mais é moléstia!...