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russomanias

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Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

REFORMA DO ESTADO  -  Todos se lembram daqueles célebres discursos de Passos Coelho e Paulo Portas quando estavam na oposição e o cheirinho próximo do poder era mais que perceptível. É preciso reformar o Estado, diziam eles, é preciso eliminar as "gorduras" excessivas que envolvem o aparelho de Estado e que representam custos inadmíssíveis para um país como Portugal. E lá davam eles exemplos de como cortar ali e acolá em organismos do Estado que não tinham qualquer utilidade e ocasionavam gastos incomportáveis. É preciso eliminar rapidamente as tais "gorduras" e redistribuir a riqueza tendo em conta a protecção dos mais desfavorecidos, nomeadamente os reformados e pensionistas, gritavam eles até à exaustão.

 

Quando Passos Coelho e Paulo Portas subiram finalmente ao cadeirão do poder, impulsionados por tão inflamadas flechadas no abalado governo do moribundo José Sócrates, o tema da "Reforma do Estado" deixou de interessar aos dois aventureiros fuínhas da política portuguesa, e quanto mais se falava nela mais do tema os sobreditos "artistas" fugiam a bom fugir, até que, num acto de verdadeira heroicidade ministerial, o Governo de Passos Coelho incumbiu pomposamente o Paulinho das Feiras, desculpem, o Paulo Portas, de elaborar um "Guião da Reforma do Estado". O país suspirou de alívio, finalmente as famosas "gorduras" iam ser eliminadas e o aparelho de Estado iria funcionar regradamente e despido daqueles inúteis "cardumes" de "boys" que vagueiam pelos corredores dos Ministérios e da restante Administração Pública. Finalmente, aqueles avassaladores "1520 organismos totalmente públicos" de que falou, e bem, Marques Mendes (PSD), juntamente com os seus 4000 dirigentes de topo, salários milionários, ajudas de custo soberbas, carrões de luxo sempre à porta e respectivos motoristas em exclusivo, pagos às custas do depauperado erário público, iriam ser passados a pente fino, avaliadas as suas reais necessidades e eliminados os organismos e fundações desnecessários ou redundantes.

 

Até hoje, e estamos quase no final da legislatura, a propalada Reforma do Estado resumiu-se a espoliar os reformados, pensionistas, funcionários públicos, classe média, jovens e as classes mais desfavorecidas, entregando o Estado os milhões de euros recuperados desta forma aos coitados dos Banqueiros e seus angélicos e pios Bancos.

 

De que está à espera o Papa Francisco para santificar Passos Coelho e Paulo Portas?...