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russomanias

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Dissecação de um mentiroso

Todos os que têm uma televisão em casa certamente que o ouviram. Todos os que conseguem falar já o contaram aos seus amigos. Todos os que sabem ler de certeza que já o leram em qualquer jornal... e todos os que não souberam de certeza que já o suspeitaram. Mas de que se trata, afinal? Trata-se da célebre frase do nosso Primeiro Ministro em que sugeria que os portugueses que não conseguissem emprego em Portugal sempre teriam a possibilidade de abandonar o seu país e emigrar. A deixa foi endereçada aos milhares de professores não colocados, mas também aos milhares de jovens desempregados, aos milhares de investigadores e bolseiros corridos das universidades, em suma, a todos os que foram vítimas das incontáveis medidas de austeridade e perderam os seus empregos. Todos os portugueses sabem disso e tem sido tema recorrente nas ruas, transportes, supermercados, cafés.

 

O que se torna estranho é que o nosso Primeiro Ministro venha agora dizer que nunca pediu aos portugueses para emigrarem quando, em 18 de Dezembro de 2012, em entrevista ao Correio da Manhã, à pergunta que lhe foi feita: "Nos professores excedentários, o senhor primeiro-ministro aconselhá-los-ia a abandonar a sua zona de conforto e procurarem emprego noutros sítios?", respondeu: "Angola, mas não só Angola, o Brasil também, tem uma grande necessidade ao nível do ensino básico e do ensino secundário de mão de obra qualificada e de professores. Sabemos que há muitos professores em Portugal que não têm nesta altura ocupação e o próprio sistema privado não consegue ter oferta para todos. Nos próximos anos haverá muita gente em Portugal que ou consegue nessa área fazer formação e estar disponível para outras áreas ou querendo-se manter, sobretudo como professores, podem olhar para todo o mercado de língua portuguesa e encontrar aí uma alternativa"

 

Se isto não é incentivar à emigração... então é o quê?...