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russomanias

russomanias

Está na cara meu Senhor!...

Quantas vezes damos por nós olhando de soslaio para determinada figura que nos passa pela frente e nos questionamos: pessoa importante, hein?... mas que fato, que carro, que casa!... só pode ser mesmo gente grã fina, gente de bem, gente de muitas posses!... ou então: olha-me para aqueles dois ali, parecem mesmo classe média alta falida, disfarçam mas estão na pior, a crise não poupou ninguém, não achas que por detrás daquela algazarra toda o que eles estão é mesmo na pior?... e por aí fora. A maioria das pessoas habitua-se a medir o verdadeiro estado dos outros partindo de bitolas curriqueiras e simplistas, deixando ao ter e haver a chave do tudo ou nada da felicidade alheia.

 

Mas o exercício torna-se muito mais complicado quando, por esta ou aquela razão, lá nos descortinamos a abrir um pouco a janela alheia, ou ela nos é intencionalmente franqueada, e então constatamos que, para espanto nosso, as coisas não sempre bem assim, que não é o Mercedes SLK 250 do nosso vizinho ou amigo que o torna mais feliz que o outro que conduz um simplório Peugeot 205, ou então que o estafermo do padeiro da rua por detrás da nossa, que vive num T2 sem elevador e lareira, é um tipo divertidíssimo e alegre, felicíssimo até, em comparação com o empoado empresário de caixilhos de alumínio nosso conhecido, que vive num casarão acastelado com uma piscina enorme e balancés e escorregas sempre vazios, que se destinavam às brincadeiras de fim de semana dos seus queridos e inquietos filhinhos. Como explicar esta aparente não conformidade, esta nem sempre directa correspondência, entre o ter muito ou pouco e o ser verdadeiramente... feliz?...

 

Aqui há uns anos, passeava eu e a minha raínha na pista da Praia de Salgueiros, em Vila Nova de Gaia, e deparamo-nos com um casal de ciganos que vendia roupa e bugigangas no passeio em frente à praia. Casal divertido, em breve nos contavam peripécias na sua linguagem alegre, simples mas viperina. Dessas conversas, a que mais retive na memória até hoje foi aquela em que o marido da senhora cigana nos disse que não pensassemos sequer que toda a gente rica era feliz. Muitos, dizia ele, por detraz da riqueza que aparentam escondem por vezes vidas de grande infelicidade. A partir daí, decidi-me a avaliar a verdadeira felicidade das pessoas não pelo que têm, mas por aquilo que é muito mais difícil esconder... os contornos da sua cara!...