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russomanias

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Fantasmas e anões da velha Europa

Este fim de semana o povo grego pronunciou-se, em referendo, sobre o "sim" ou "não" à continuidade das políticas de dura austeridade que lhe têm sido impostas pela Alemanha e restantes países do norte da Europa, coadjuvados pelos ajudantes de campo da Sr.ª Merkel, nomeadamente os primeiro ministros de Portugal, Passos Coelho, e Rajoy, de Espanha. Foi vergonhoso assistir à intromissão descarada de tanta gente responsável da Europa num assunto interno de um país livre e independente que faz parte da Comunidade. A campanha dessa gente a favor do "sim" foi escandalosa e escancarada mas, no final, o massacrado povo grego pronunciou-se, de uma forma clara e inequívoca, com um impressionante "não" às imposições e ditames dos burocratas europeus, manietados e conluiados com a alta finança.

 

Em Portugal toda a direita fez campanha pelo "sim" na Grécia, desde o presidente da República, primeiro ministro e vice primeiro ministro, sem esquecer os sapientes comentadores do PSD Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa. Todo empolgado com as sondagens, Marques Mendes não esteve cá com meias medidas e despejou o saco sobre os que na Grécia lutam corajosamente contra os "terroristas" financeiros europeus. Segundo Marques Mendes, "toda a esquerda europeia está a ser muito dura com o Syriza...", "toda a esquerda europeia está a afastar-se do Syriza..." e "o Sr. Renzi, primeiro ministro de Itália, socialista, disse que este referendo é optar entre o euro ou o dracma. E não contem mais comigo para estar ao lado do governo grego, porque eles são o problema e não são a solução".

 

Ora Marques Mendes mais não fez do que atirar areia para os olhos de todos nós. Os ditos socialistas europeus, em que se inclui o PASOK que levou a Grécia aos descalabro, são efectivamente de esquerda? Que se passa com essa tal "esquerda" em França, em Espanha e em Portugal? Ao que parece o povo grego respondeu a essa questão: essa dita "esquerda" não existe, não conta, cada vez mais, com o apoio dos povos europeus, porque vergonhosamente se diluiu com a direita europeia na defesa do que consideram ser os altos interesses da finança internacional... contra os interesses das camadas populares que até aqui os apoiaram.