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russomanias

russomanias

Isto cheira-me a esturro!...

Imediatamente a seguir ao 25 de Abril de 1974, e sempre que se desenhava uma campanha eleitoral, não era difícil perceber a força aproximada de cada partido e mandar uns bitaites sobre a previsão quanto à votação de cada um deles. Aquilo eram mais centenas menos centenas, mais milhares menos milhares. Quase tudo se passava nas ruas e a rua não engana. A real força dos partidos era medida, desde logo, pela dinâmica e amplitude da sua campanha, da quantidade e qualidade dos seus cartazes e do número e eficácia das brigadas que os colavam. E depois havia ainda os comícios, os porta-a-porta e os tempos de antena nas TV.s. Mas era na rua que se avaliava o verdadeiro ambiente, a força, a intensidade, a alma dos que se apresentavam para o embate. Claro que tudo aquilo requeria muito trabalho intensivo, muita mão-de-obra e, como todos sabemos, a mão de obra está cara e, pior ainda, questiona muito, faz muitas perguntas, é perigosa, ingrata e... por vezes muda de patrono.

 

Vai daí, para tornar as eleições mais manobráveis e mais programáveis, sem necessidade de recorrer tanto às disponibilidades e diatribes das multidões sempre inconstantes, os senhores dos anéis, desculpem, do capital, fizeram das cansativas e trabalhosas eleições o que já haviam feito em algumas das suas empresas: intensificaram o capital e reduziram a mão-de-obra. Para tal, investiram em "sondagens" e em empresas de organização de eventos. E aí estão a RTP, a SIC, a TVI, o Correio da Manhã, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, a Eurosondagens, a Universidade Católica, a Gest Eventos e vários outros a tentar colmatar a mais que evidente falta de multidões para os lados da FAP (PSD + CDS). E lá nos bombardeiam agora eles todos os dias com a indicação de quem para eles será o vencedor incontestável destas eleições. Contudo, como todos puderam constatar nas últimas eleições realizadas em Inglaterra e na Grécia... as "sondagens" valem pouco mais que zero, funcionando entretanto muito bem para tentar desmobilizar os mais decididos a votar nos partidos que supostamente não interessam aos habituais mandões do poder.

 

Entretanto, não sei bem porquê, anda no ar algo que me diz que no dia 4 de Outubro alguns artificiais e débeis andaimes desta campanha eleitoral vão desmoronar, não sei se com o vento se com a desilusão de alguns. É que, meus caros e fieis amigos... isto cheira-me a esturro!...