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russomanias

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Nascido para viver

Faz hoje anos que minha mãe me deu ao mundo e desse dia só posso saber o que me contaram os que me conceberam, meu pai e minha mãe. Pelos vistos não eram tempos fáceis para a grande maioria das pessoas deste país, tirando meia dúzia de gatos bem acomodados e uns quantos esbirros e bufos que sobreviviam das sobras e benesses do regime. É claro que cedo me comecei então a aperceber da enormíssima disparidade social entre os que rezavam abnegadamente e os que, afanosos, ajudavam à "missa", não sendo de estranhar que no dia da "revolução dos cravos" eu já me sentisse mais para lá do que para cá. Aquilo foram tempos de grandes extremismos, mas também de grandes oportunidades, pois se houve quem se dedicasse à pesca de forma honesta e desinteressada, também foi verdade que houve, e foram muitos, quem vislumbrasse finalmente um bom "pernil" ao virar da esquina e pusesse logo fim à sua aventura contestatária... tinha enfim chegado a democracia.

 

E é assim que vivemos todos hoje, em plena democracia, na qual eu faço hoje anos em plena liberdade, em que todos somos livres de dizer quase tudo aquilo que pensamos, em que também somos finalmente livres de escolhermos trabalhar naquilo que queremos, desde que tenhamos tido a liberdade de nos termos inscrito no partido certo, claro, condição "sine qua non" para a cabal consumação de tal exercício. É claro que existe sempre uma margem mais ou menos segura de "livre arbitrio", que passará por escolhermos frequentar durante anos e anos uma universidade pública e não chegarmos a lado nenhum, ou então comprarmos uma formatura numa qualquer privada e, com quatro "cadeiras" feitas mas mal amanhadas, assegurarmos um futuro de sonho digno de fazer inveja a qualquer "profano" impuro despido de esquadro e avental.

 

Quanto ao mais, nascido para viver... neste belíssimo país de faz-de-conta!...