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russomanias

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O bando dos quatro

Nos últimos dias correram mundo imagens horripilantes e inacreditáveis do êxodo maciço de milhares de refugiados em direcção ao centro da Europa. Vêm principalmente da Síria, da África Subsariana, da Eritreia, do Sudão, do Afganistão e de alguns outros países onde ponteiam conflitos e sangrentas guerras civis. A Europa central, principalmente a Alemanha e a Austria, mas também a Inglaterra, são os destinos declarados desses refugiados, inevitavelmente à procura de um lugar onde possam fugir da guerra e também de refazer as suas próprias vidas. Mas a Europa, directa e indirectamente, deu já a entender, utilizando varias vezes cães e o uso da força, que não os quer cá. O primeiro ministro da Hungria, Viktor Orbán, a quem  o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, trata por "Olá ditador!", avançou que os refugiados ameçam as "raízes cristãs" na Europa, e David Cameron, líder do Partido Conservador e primeiro ministro inglês, tratou os refugiados como uma "praga" que atravessa a Europa.

 

Agora que a foto de Aylan Kurdi, o menino sírio de 3 anos encontrado morto numa praia da Turquia, correu mundo e pesou nas consciências de milhões de pessoas em toda a parte do globo, alguns líderes europeus mostram já outra disposição para enfrentar o gritante problema dos refugiados, nomeadamente, pelos vistos, o próprio David Cameron. Mesmo assim, convem lembrar que a raíz do problema que hoje enfrentam os governos europeus começou já no não assim tão longinquo ano de 2003, nomeadamente entre os dias 16 e 20 do mês de Março desse ano, aquando da realização da chamada Cimeira dos Açores, ou das Lages, na Ilha Terceira, Açores, Portugal. Por esses dias, o então primeiro ministro português Durão Barroso, o presidente dos Estados Unidos George W. Bush, o primeiro ministro britânico Tony Blair e o primeiro ministro de Espanha José Maria Aznar, decidiram uma intervenção militar no Iraque através de uma coligação militar liderada pelos Estados Unidos e Reino Unido, com o apoio de Portugal e Espanha. Nessa expedição contra o Iraque participaram igualmente outras pequenas forças da Austrália, Dinamarca e Polónia.

 

Essa intervenção contra o Iraque, que viria a desestabilizar toda aquela região do médio oriente e a fazê-la descambar na situação calamitosa em que hoje lá vivem milhões de pessoas e a originar as centenas de milhares de refugiados que hoje batem às portas da Europa, teve como argumento a existência naquele país de armas de destruição maciça, nomeadamente químicas, o que foi posteriormente desmentido e considerado infundado pelos quatro países que participaram na Cimeira dos Açores. Mas o mundo já sabia isso, pois o real motivo da intervenção fomentada pelos Estados Unidos eram as enormes riquezas petrolíferas do Iraque e não outra coisa. A própria Alemanha e a França, perfeitas conhecedoras do que estava efectivamente por detrás da intervenção militar no Iraque, não foram na conversa e deixaram-se estar quietas.

 

Por tudo isto, o flagelo dos refugiados que hoje assolam a Europa tem uma causa clara e culpados conhecidos, é bom que se o diga: Durão Barroso (Portugal), George W. Bush (Estados Unidos), Tony Blair (Reino Unido) e José Maria Aznar (Espanha). Perante o que hoje se passa na Europa, que me dizem às vossas anteriores tantas "certezas", meus caros senhores?