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russomanias

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O banqueiro do povo

É o nosso Mourinho das finanças e é também mais um português extrordinário a dar cartas e a somar prestígio e respeito na sempre exigente Inglaterra. Licenciado em gestão e administração de empresas pela Universidade Católica, professor universitário, encabeçou em Portugal, durante vários anos, o Banco Santander e foi em 2010 chamado a Londres para presidir urgentemente ao importantíssimo Lloyds Banking Group e tirá-lo rapidamente do buraco financeiro em que perigosamente se encontrava. Ultimamente foi também convidado para administrador não executivo do Banco de Inglaterra, pelo que se trata, sem margem para dúvidas, de um português com enorme prestígio e reconhecimento no estrangeiro pelas suas capacidades como gestor e banqueiro. A sua opinião e aquilo que pensa sobre Portugal têm, por conseguinte, enorme importância e manifesto interesse no actual momento que o país atravessa. Ouçámo-lo: "Os portugueses são excelentes trabalhadores. Têm a mesma reputação em França, no Canadá ou em Inglaterra. Em Portugal temos algum défice de gestão, mas também temos óptimos gestores. Devíamos ter mais óptimos gestores. O maior problema de Portugal é o falhanço das ELITES. Não são simplesmente os gestores. As ELITES têm vindo a falhar ao longo dos anos, nos valores e no estabelecimento de uma direcção e um exemplo para o país que motive a população a ir na direcção correcta". (ANTÓNIO HORTA OSÓRIO, português, presidente do Lloyds Banking Group e administrador não executivo do Banco de Inglaterra, em entrevista à Renascensa - 16/10/2015).

 

O tema do amadorismo, oportunismo e constante anti-patriotismo das nossas elites em Portugal é um tema recorrentemente por mim abordado neste escritos e nunca é por demais esmiuçá-lo e dar-lhe combate de frente, já que se trata de uma das causas, porventura a principal, do nosso atraso de décadas em relação aos restantes países da Europa. Na verdade, foi de forma miserável e oportunista que essas elites entregaram o país de mão beijada à Alemanha, a troco de uns milhares de milhões de euros como contrapartidas para o abate da nossa indústria pesada, pescas e agricultura, milhões esses que foram parar, na sua maior parte, aos bolsos dessas mesmas elites e se escondem hoje, bem guardados, nas suas garagens, nas suas soberbas mansões e espalhados por inúmeras contas em paraísos fiscais por esse mundo fóra.

 

Não consta contudo que António Horta Osório, no dia 24 de Agosto deste ano, na "aula" que deu na Universidade de Verão do PSD, tivesse abordado ou sequer tocado o tão importante tema do papel negativo das nossas "elites"... o que foi uma pena.