Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

russomanias

russomanias

O lobo mau e os quatro anões

O que se passa neste momento em Portugal daria para rir se não estivessemos a falar de coisas sérias, isto é, de assuntos que a todos nos dizem respeito e de certeza determinarão, para o bem e para o mal, o nosso futuro mais próximo. Quem não se lembra da noite do passado dia das eleições? A direita parecia doida... "ganhamos!"... diziam. Passos Coelho já se estava a ver no cadeirão do poder mais quatro anos e a enviar o telegrama da ordem à empoada chefona da Europa, Frau Merkel... "como vê, minha querida, eu sou mesmo muito bom!...". Paulo Portas, o "irreversível" salta-pocinhas da política nacional, apesar da sua reconhecida inteligência matreira também não "farejou" o que estava para vir e sonhava já em continuar o seu périplo de 360 dias por ano a calcorrear alegremente as centenas de Feiras Internacionais de vinhos e petiscos por esse mundo fora. Enfim... uns simplórios anões da política.

 

Enquanto isso, na noite das eleições António Costa estava embaralhado, confuso e perdido, aliás como estivera já em toda a campanha. O PS não ganhara a ambicionada maioria absoluta com que Costa havia justificado a sua "paulada" em António José Seguro. O PS não só perdera as eleições para o PSD/CDS como o que subiu em votos foi mesmo muito "poucochinho". Os tãos ambicionados assentos no poder que prometera à "clientela" que o elegera já eram. Catarina Martins, por seu lado, tinha todos os motivos para festejar, pois mais que duplicou o número de deputados do Bloco de Esquerda. Mas para que servia duplicar o número de deputados e fazer a almejada "maioria de esquerda" com o PCP e o PS se o país continuasse daqui para a frente na mesma cantoria de direita ou se o próprio PS, empurrado pela crescente campanha anti-maioria de esquerda, resvalasse totalmente para os braços da direita? Catarina Martins não atingiu o lance e foi para a primeira reunião com o PS infantilmente de mãos vazias, como aqueles vendedores amadores sem ambição que marcam a reunião com o cliente para tentar "fechar" o negócio mas nem sequer levam consigo um exemplar do "contrato" para assinar. Como os dois empolgados "anões" abordados em cima... estes aqui também não atingiram o momento.

 

Mas o Lobo Mau era mesmo muito mausinho e, com uma tranquila presença de espírito, não tardou logo em fisgar o que estava em cima da mesa. Jerónimo de Sousa não embandeirou em arco nem se preocupou muito se o Bloco estava à frente ou atrás do PCP, isso eram meras circunstâncias. Tratou foi logo de fazer os "trabalhos de casa" e partir para a primeira reunião com o PS devidamente apetrechado e com todos os elementos necessários para a elaboração do respectivo "acordo", possívelmente minuta incluída. Tendo aprendido na "velha escola" que por vezes em política, como na vida, para se dar um passo em frente é necessário dar primeiro dois atrás, não esteve com meias palavras e concluiu, logo na primeira reunião, com a célebre frase... "por nós, o PS só não forma governo se não quizer". Em suma... ficaram surpreendidos, estupefactos e paralizados com a rapidez e eficiência do quarto classificado. O Lobo Mau comeu-os a todos de ginjeira, aos dois primeiros por excesso de confiança, ao terceiro por não ter os pés bem assentes na terra e, à quarta, por estar ainda um pouco verdinha e com falta de profissionalismo na hora dos "finalmente".