Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

russomanias

russomanias

O meu Pai e eu

Ontem foi o dia festivamente anunciado de se ter de falar do adorado Pai. Como falei com o meu Pai quase sempre todos os dias, não me vi na obrigação de ter de falar dele propositadamente no dia de ontem. Claro que o meu Pai representou muito para mim e talvez não lhe tenha dito em vida tudo o que devia, mas resta-me a consolação de lhe ter feito em vida tudo o que podia para lhe agradecer o quanto foi bom para mim e o quanto me ensinou. Nunca lhe escrevi publicamente uma bonita carta "pos mortem" ou "inter vivos" tecendo loas às suas qualidades morais e éticas, pois enquanto era vivo sempre fiz por lhe dizer, por palavras e actos, o quanto a sua atitude me influenciou e determinou o que sou hoje.

 

Também não costumo ter por hábito na véspera do Dia de Todos os Santos ou dos Fiéis Defuntos, e no próprio dia, ir para a sua última e derradeira morada demonstrar, pública e solenemente, o quanto gostava dele, pois ele e eu sabemos o quanto eu o admirava e o gosto que eu fazia em o ter perto de mim durante todo o tempo do mundo. Bem sei que nem todas as semanas o visito na sua agora eterna morada, mas resta-me a consolação de, enquanto foi vivo, ter conversado e estado com ele sagradamente todas as semanas e, durante muito tempo, até quase todos os dias.

 

Sei também que estas minhas estranhas e arrevezadas manias fazem confusão a muita cabecinha luminosamente pensante, muito mais viradas para o espectáculo da demonstração lancinante e pública de amor eterno pelo adorado Pai. Claro que cada um faz as suas opções de vida conforme lhe dá mais jeito. Eu por mim preferi prescindir da demonstração oficial e pública de um dia de eterno amor pelo Pai, em troca da satisfação de o ter admirado e amado pessoalmente toda uma vida e de ter feito efectivamente por isso enquanto pude... antes de me impedirem de tê-lo derradeiramente perto de mim.