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russomanias

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Os Miseráveis

Como será possível alguém poder vir dizer "nós também poderiamos ter tido um bom resultado eleitoral, mas não quisemos", ou então "também poderiamos ter tido um candidato ganhador, mas não estivemos para aí virados"? Será isto possível? Em Portugal pelos vistos é, ou melhor, foi. Pois foi precisamento isto o que aconteceu quando Jerónimo de Sousa, no final do dia das eleições presidenciais, e após um estrondoso insucesso eleitoral, veio muito marialvamente dizer que "nós também podiamos arranjar uma candidata engraçadinha", que é como quem diz, e traduzido à letra, "essa arma também nós a tinhamos no nosso arsenal de batalha, mas, como somos púdicos, não a quisemos utilizar", conclusão interpretativa do que devem ser os "argumentos" de uma campanha eleitoral que não deixa de ser incrível nos dias de hoje.

 

Para Jerónimo de Sousa, pelos vistos, e por tudo aquilo que conhecemos do seu partido, um candidato deve ser da máxima confiança do colectivo que o propõe, deve ser honesto, dedicado à causa revolucionária, seguidor dos ideais progressistas e implacavelmente cumpridor das orientações do partido. Se por acaso possuir tudo isso mas acumular com esses dons o facto de ser "engraçadinho" ou "engraçadinha", então aí as coisas podem complicar-se e já não vir a ser o "eleito", o "escolhido". A ser assim, para Jerónimo de Sousa ou és uma Odete Santos ou não vais lá. Mas, podemos nós perguntar, que mal tem em escolher-se um candidato que possui todas aquelas "qualidades" e que, a acrescentar a essas,  ainda lhe juntamos a valorativa e imprescindível fealdade? Não tem mal nenhum, cada qual coze-se com as linhas que tem, ainda por cima nos dias de hoje. O que não pode depois é vir dizer-se que tambem tinhamos um "jeitoso" ou uma "jeitosa" na manga para conseguir um bom resultado eleitoral mas que somente o não fizemos porque congenitamente desconfiamos de todos os candidatos ou candidatas que sejam apresentáveis, engraçados, bonitosbelos ou séxis, porque, se o fizermos, ou somos uns miseráveis ou somos muito burros... e, logo, não teremos de que nos queixar.

 

A sociedade insabida e chapa cinco do "forte e feio" e do "homem novo" caiu com os escombros do Muro de Berlim... mas, pelos vistos, nem todos o viram ainda.