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russomanias

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Pequenos génios incompreendidos

Nada mais comum que vermos, de manhã bem cedo pelas ruas, ranchos de pequenas crianças de mochila às costas, indo para a escola aprender aquilo que alguns acham ser de aprender na vida, aprender a ler e a escrever em português, a somar, a subtrair, a dividir, tudo numa azafama de manhã à noite. Mas logo alguém demasiado inteligente descobre que melhor será que a criança também aprenda música, informática, ginástica, golfe, natação, inglês, mandarim, e a mochila continua a crescer e já tem que ser um adulto a ajudar os miúdos a levá-la à escola. Os pais, como querem que os seus filhos tenham sucesso na vida, tudo aceitam em prol de um futuro risonho para aquelas crianças. Depois, já mais crescidinhos, com o triplo das disciplinas e com a memória bem treinada pela memorização de centenas de milhares de coisas que depois de sairem da Escola jamais ouvirão de novo falar, lá chegam os Exames para colocar à prova e dividir a sala de aulas em meninos e meninas inteligentes, medianos e... "burros".

 

Por isso é que adoro à brava aquela anedota, que também pode ser uma boa lição para os adultos adoradores dos calhamaços, sobre um estudo que se fez aqui há uns anos numa sala de aula de uma universidade dos Estados Unidos, em que efectivamente se verificou a existência daquela divisão na classificação dos alunos... os inteligentes, os medianos, e os que atiravam aviõesinhos de papel à cabeça da professora, isto é... os "burros". Acontece que passados vinte anos os investigadores que fizeram esse estudo quiseram saber onde estavam e o que faziam esses três tipos tão diferentes de alunos, e aqui é que reside o real interesse da suposta anedota ou lição, como lhe queiram chamar. Os alunos medianos trabalhavam nas empresas como contabilistas, os inteligentes, claro, eram todos administradores de empresas e, quanto aos que atiravam aviõesinhos de papel às cabeças das professoras eram, tomem nota... os donos das empresas!...

 

Mas então, dizem-me vocês, não é necessário estudar como um louco para se ter algum sucesso na vida? Por vezes é, mas nem sempre. Veja-se o caso do "shark tank" português Manuel Ferreira, o proprietário da empresa Douro Azul, esse empresário nortenho de grande sucesso que não precisou de nenhum canudo universitário para se tornar num dos grandes empresários portugueses. E, já agora, repare-se igualmente no norte americano Bill Gates, dono da poderosa Microsoft, que bateu com a porta na universidade para dar início, na sua garagem, ao negócio que o tornaria no homem mais rico do... mundo!...

 

Não será bem melhor aliviar um pouco as mochilas e o "stress" das crianças e deixar-lhes suficiente espaço e tempo para a felicidade e o... sonho?... os pequenos génios agradecem.