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russomanias

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Politicos ou merceeiros?...

O país inteiro tem assistido a um enorme embuste. Só não o veem os cegos, mas aqui só mesmo os cegos que não querem ver. O Partido Socialista e António Costa perceberam que chegou a hora de parar de assinar cheques em branco à direita e à sua política de austeridade a ferro e fogo sobre a maioria dos portugueses. Claro que nem todos ainda perceberam que não o fizeram de sua livre vontade, mas a isso foram obrigados para salvar com urgência o próprio Partido Socialista. Sim, salvar o Partido Socialista do desaparecimento a curto e a médio prazo, como aconteceu já na Grécia, como vem acontecendo aqui ao lado, em Espanha e como, a nada ser feito, irá provavelmente acontecer em Portugal. É claro que este importantíssimo e determinante pormenor nem sempre é devidamente referido pelos inúmeros comentadores que campeiam de manhã à noite as nossas TV's. O que têm feito então António Costa e o PS? Têm tentado transmitir aos portugueses a ideia de que a partir de agora vão deixar de apoiar uma política de austeridade cega que só tem empobrecido ainda mais os que já pouco têm e que vão finalmente enveredar por uma política socialmente mais equilibrada de recuperação do país.

 

Acontece que o Partido Socialista, pelas suas vacilações constantes e pelo seu passado de conluio com a direita, não mereceu a confiança da maioria dos portugueses e, para se "salvar", tem que se aliar com outras forças políticas representadas na Assembleia da República. Poderá assim aliar-se à direita? Só se for para "morrer" mais cedo. Poderá aliar-se à sua esquerda, ao Bloco de Esquerda e ao PCP? Estes dois partidos disseram que sim, desde que seja acordado um programa mínimo em que os três possam trabalhar. PS, BE e PCP têm a maioria de deputados na Assembleia da República e podem, por conseguinte, fazer passar as sua propostas e votar contra o programa do governo minoritário constituído pelo PSD e pelo CDS. A Constituição da República permite este tipo de situação e possibilita até que os três partidos da esquerda se entendam para formar governo. A questão está em que o Senhor Presidente da República prefere fazer descambar o país a dar posse a um governo de esquerda, com o argumento de que com o Bloco de Esquerda e com o PCP não haverá estabilidade nem há garantia de cumprimento dos tratados internacionais. E com ele tem-se levantado todo um coro de políticos nacionais e estrangeiros da área da direita e alguns disfarçados de esquerda. É a Senhora Merkel, é o Rajoy é o presidente do Partido Popular Europeu (Joseph Daul), é o Durão Barroso, é o Passos Coelho, é o Paulo Portas, é o Marco António, é o Pires de Lima, é o travestido Carlos Silva da UGT, é o fareleiro Francisco Assis do PS, são as miríades de comentadores de fim de semana pagos a peso de ouro, enfim, todos queles que fizeram pela vidinha o quanto puderam nos faustosos e gloriosos anos do "arco da governação".

 

Toda esta gente sectária e reaccionária faz-me lembrar um bonacheirão e simpático merceeiro lá da zona em que eu morava nos anos logo a seguir à Revolução do 25 de Abril. Cada um de nós pode e deve emitir de vez em quando a sua máxima ou tirada filosófica, e este simples mas prolixo merceeiro também tinha a sua concepção filosófica do que para ele deveria ser a nova democracia saída da Revolução de Abril. Segundo ele dizia, "os comunistas são muito bons para vigiar, para dar conta de como as coisas andam, para trazer para o conhecimento do país uma ou outra coisa que não esteja bem e deva ser mudada. Sim, os comunistas são muito bons para vigiar... mas para governar não!... isso nunca!"

 

Nestes últimos dias, quando ligo a TV e recordando aqueles conturbados anos logo a seguir ao 25 de Abril, várias vezes me tenho perguntado se estou a ouvir verdadeiros políticos ou se, pelo contrário, o que tenho pela minha frente são meros e simples... merceeiros!...