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russomanias

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Por uma questão de coerência

Qualquer português capaz de ler e entender meia dúzia de artigos da Constituição apercebe-se de imediato que os poderes de um Presidente da República no nosso país são bastante limitados e que o poder efectivo se concentra antes no orgão Assembleia da República, isto é, nas maiorias constituídas a partir da vontade dos deputados eleitos através dos partidos. O poder para constituir um novo governo não deriva, pois, do Presidente da República, do partido mais votado ou de qualquer outro dispositivo mais ou menos discricionário. O poder efectivo é constituído a partir da vontade da maioria dos deputados eleitos, pertençam eles a que tipo de partidos pertencerem, sejam eles da esquerda ou da direita. E foi precisamente assim que aconteceu nas últimas eleições legislativas, dado que a tão falada democracia não existe só para quem quase sempre habitualmente faz a festa, mas igualmente para quem historicamente costuma apanhar as canas.

 

É pois certo que o Presidente da República não governa, ao contrário do que por vezes se houve dizer nas ruas aos candidatos ao cargo, de que vão "fazer" isto e aquilo, de que vão "mudar" isto e mais aquilo. A verdade é que não vão "fazer" nada nem "mudar" nada, pois não têm poderes para isso, mas podem na verdade "influir" e até puxar de vez em quando as orelhas ao governo em situações de grande interesse nacional. Por conseguinte, e tendo em conta a actual maioria constituída na Assembleia da República, qual o interesse em votar em candidatos presidenciais que representam o projecto minoritário derrotado e que governou desastrosamente o país nos últimos quatro anos? O interesse não é nenhum. Logo, e por uma questão de coerência de interesses e objectivos, a maioria dos portugueses só têm a ganhar se para a presidência da república for eleito alguém identificado com a nova esperança que o país atravessa. Identificado com ela... mas também predisposto e decidido a "influir" diariamente para que a mesma se concretize.