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russomanias

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O 25 de Abril contado às criancinhas

Era uma vez um belo e frondoso país com mais de 800 anos, situado na parte ocidental, junto ao mar, duma rude jangada de pedra chamada Ibéria. Nesse pequeno país viveram muitos e variados povos antigos a que chamaram celtas, celtiberosgregos, fenícios, cartagineseslusitanos, romanos, alanos, vândalossuevos, visigodos, árabes e, mais tarde, dessa riquíssima e maravilhosa amalgama resultaram aqueles que hoje são conhecidos como portugueses, pelo que logo nos apercebemos de que estamos a falar do nosso conhecido, pacato e muito querido Portugal. Não vos vamos matraquear aqui com aquelas centenas de anos da nossa confusa mas empolgante história, em que estiveram à frente do país reis e rainhas das mais variadas vontades e linhagens, o que interessa, sim, é referir que os nossos bravos e destemidos antepassados, exímios navegadores e descobridores de especiarias e de metais e pedras preciosas, percorreram mundo e sacaram portentosas fortunas, mas que de todas essas pilhagens e riquezas pouco mais resta hoje que o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Convento de Mafra e umas quantas barrocas Igrejas.

 

Mais importante é dizer que a partir de Maio de 1926 e até 24 de Abril de 1974 esse pequeno país a que hoje chamamos o nosso Portugal viveu um longo período de ditadura de Salazar e Caetano, dois fascinoras que criaram e aperfeiçoaram a PIDE, polícia de perseguição política, proibiram a liberdade de expressão e pensamento, afundaram o pais na miséria e no analfabetismo, obrigaram centenas de milhar de portugueses a emigrar e tornaram o país num dos mais atrasados da Europa. Com a Revolução do 25 de Abril de 1974 e o derrube do ditador Caetano, foram muitos os que puseram rápido e alegremente o cravo vermelho ao peito e os portugueses conseguiram de novo a liberdade por todos almejada e puderam assim voltar a dizer e a escrever o que pensavam. O analfabetismo diminuiu a partir daí drasticamente e as condições de vida da população melhoraram substancialmente. Mas então, perguntam vocês, e com razão, porque será que hoje em dia mais uma vez as pessoas têm medo de falar, vivem mal, estão desempregadas, voltaram a emigrar às centenas de milhar, os alunos abandonam as escolas e as universidades e Portugal continua como um dos países mais atrasados da Europa?

 

A resposta que vos poderia e deveria dar seria para vocês, crianças, certamente um pouco longa e maçadora, pelo que vos deixo aqui, para poderem entender melhor, parte da letra de uma canção do José Barata Moura, muito certeira e esclarecedora logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 e que hoje se mantem muito actual:

 

 

Cravo Vermelho ao peito

A muitos fica bem.

Sobretudo faz jeito

A certos filhos da mãe!

 

 

Entenderam?... se não entenderam perguntem ao vosso pai ou à vossa querida mãezinha. Façam isso.