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russomanias

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República do medo

Todos gostamos de dizer que vivemos numa democracia, que o país é livre e que cade um de nós é rei e senhor das suas ideias, das sua opiniões e do seu eterno livre arbitrio. Mais, para melhor cimentar o que chamamos de evidências, costumamos igualmente realçar a nossa liberdade de nos deslocarmos para qualquer país do mundo à nossa escolha, de escolhermos as profissões de que mais gostamos e vivermos com as pessoas com quem mais nos comprazemos de viver. Os amigos, dizemos nós, nunca serão um impecilho ou problema, pois os tivemos, e muitos, na escola, centenas deles nas empresas por onde passamos, sem contar com aqueles que fomos conhecendo assim que iamos contactando pessoas e cada vez mais pessoas por esse mundo fora. Mas o mais estranho é que embora nem sempre seja tudo assim, sempre gostamos de pensar que o nosso país e mundo são efectivamente assim de verdade e que, só por pura melancolia ou espírito mais negativo, somos levados a relevar o lado mais escuro da vida e não tanto o sol que a cada dia nasce. Será efectivamente assim?

 

Que sentirão então aqueles que fecham contantemente os olhos às mais crueis injustiças que se perpetram à sua volta nos dias que correm, que conhecem perfeitamente a origem do mal que à grande maioria persegue e, contudo, se calam? Que sensações trespassarão aqueles que nas escolas, nas empresas, nos vastos e amplos corredores do poder, a tudo dizem sim porque o não, embora talvez fosse o mais correcto, significaria colocar em causa o querido chefe ou o mais chegado amigo do chefe? E este estado, este desistir do nosso eu, da nossa maioridade, da nossa independência e liberdade, terá algo a ver com a demência esclavagista com que aceitamos hoje em dia ser tratados pelos nossos principais parceiros de Bruxelas?

 

Decidimos todos viver em plena democracia ou antes conscientemente toleramos uma miserável e insegura... República do medo?...