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russomanias

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Vou começar a gastar à conta da devolução do IRS 2015... mas só se...

Aqui há dias deu-me uma vontade enorme de dar um grande abraço ao Primeiro Ministro Passos Coelho e ao Vice-Primeiro Ministro Paulo Portas. Estes sim, são ministros a sério e não como muitos por aí dizem. Como prometeram, já que o país agora está muito melhor e a troika se foi embora, vamos começar a receber finalmente qualquer coisinha depois de tanto aperto e aflição... pensava eu. Assim, relativamente ao IRS pago em 2015, vamos começar a receber já em 2016 o respeitante à devolução da sobretaxa de 3,5% mas, afinal, só se... só se... a soma das receitas de IVA e de IRS em 2015 aumentarem 6,39% face a 2014. Ora, como as previsões de crescimento da economia para 2015 são de 1,5%, isto na óptica do governo, porque a realidade é bem mais drástica, com a Europa, nosso principal mercado das exportações, neste momento em grandes dificuldades, está-se mesmo a ver que os portugueses em 2016 vão receber de devolução da sobretaxa de IRS pura e simplesmente... NADA. Assim, aquele abraço que eu tanto queria dar a Passos Coelho e Paulo Portas transformou-se numa grande vontade, isso sim, de os mandar apanhar favas ou feijões, que isto de ser um português suave e acreditar em promessa de ministro já deu no que tinha a dar.

 

Mas afinal, para quem está esta gente a falar? Sendo 2015 ano de eleições, é só isto que têm para oferecer cá ao Zé Pacóvio com vista a catar o nosso voto? ... promessas, promessas e... mais promessas? Nã, nã, Senhor Primeiro Ministro!... nã, nã, senhor Ministro das Feiras, desculpem, senhor Ministro das Passeatas no Estrangeiro, desculpem, senhor Vice-Primeiro Ministro! Ou chutam para cá o pilim da sobretaxa do IRS, como prometeram, sim, o pilim, mais os devidos aumentos de abono de família, das pensões e de tudo o mais a que temos direito ou então... ou então vão ver no que vai dar isso do "que se lixem as eleições"!...

 

Tomem nota... olhem que o Costa e o Jerónimo estão-vos a topar!...

 

 

 

 

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Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

BUROCRATA - Já todos nós nos defrontamos com um burocrata, e eles campeiam por tudo quanto é organização, do alto a baixo de uma empresa, da administração pública e dos partidos. O burocrata sabe sempre tudo, domina toda a estrutura em que está inserido e é um perito em rotinas e procedimentos. Como tem necessidade de justificar o seu vencimento e o posto que ocupa, inventa processos e etapas de resolução de problemas que em nada se coadunam com as reais necessidades da estrutura e, muito menos, dos seus utilizadores ou clientes. Quem não foi já a uma Câmara Municipal ou Junta de Freguesia e deu de caras com um "complicador" de problemas em vez de um eficiente mestre na sua resolução? Quem não trabalhou já numa empresa em que, em vez de ajudar, um determinado fulano ou sicrano é antes um valente e grande empecilho? E nas secretarias de estado e ministérios, quantos não andam por lá a empatar e a sacar escandalosos vencimentos, em vez de ajudar a solucionar os reais problemas que por lá existem? Veja-se o caso da Justiça em Portugal, com a tão falada Nova Organização Judiciária. Ao pretender fazer-se na Justiça em Portugal a suposta "maior revolução dos últimos 200 anos", que fizeram os senhores burocratas, de alto a baixo?... a maior e mais grave "confusão" por que a Justiça passou em Portugal nos últimos 200 anos! E é isto: o burocrata que tudo pode, tudo domina, tudo sabe... só sabe é mesmo complicar e baralhar ainda mais.

 

Como combater eficazmente um burocrata e fazer com que nos largue de vez os calcanhares? Só vejo sinceramente uma solução: quando um burocrata nos pedir 50 papéis entregamos-lhe logo um embrulho com 200... é remédio santo e, tão cedo, não nos voltará a chatear!...

 

 

 

 

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Eu não sou filho único

Há dias todos ouvimos nos Telejornais que o governo iria constituir uma "comissão" para analizar e apresentar propostas para aumentar a natalidade em Portugal. Ainda hoje, 16 de Outubro, por exemplo, os partidos do governo, PSD e CDS, apresentaram na Assembleia da República uma resolução para debater a natalidade, com a sujestão a todos os partidos para que apresentem as suas sujestões e propostas. Fiquei bastante curioso sobre a matéria, fiz entretanto os meus juízos e não tardei a tirar as minhas conclusões. Sim, como qualquer outro cidadão deste país, preocupo-me com o que se está a passar de grave com a extremamente baixa natalidade dos últimos anos, com o número crescente de pessoas idosas relativamente ao número efectivo de jovens. É que, como muitas outras pessoas, embora cada vez mais caso raro, ainda sou do tempo em que casais com três, quatro e cinco filhos era das coisas mais banais do mundo, sendo até o meu caso o facto de ter mais cinco irmãos.  

 

Mas então, vamos lá ver, como se poderá incentivar o aumento da natalidade com políticas de baixos rendimentos, salários de miséria, retiradas constantes de abonos de família, altas taxas de desemprego, nomeadamente desemprego jovem, incentivos verbais aos jovens, por parte do Senhor Primeiro Ministro, para emigrarem, aumento constante da precaridade laboral, liberalização selvagem dos horários de trabalho, custos elevados no acesso à saúde, ensino e com creches e infantários?

 

Agora, que o Governo apresentou o Orçamento de Estado para 2015, que vemos nós quanto a medidas para um real incentivo da natalidade?... estranhamente... nada!... Mas então, andam a brincar connosco ou quê? Se querem de facto promover a natalidade... onde estão as medidas para que tal aconteça? É que, como no tempo de meu pai e de minha mãe, já não basta acrescentar mais um pouco de água na panela da sopa para ficar garantido o sustento e o futuro de mais um filho... agora a música é outra!... entendeu, Senhor Primeiro Ministro?... entenderam, Senhores que garatujaram, apressada e desfasadamente... esse tal de Orçamento de Estado/2015?...

 

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Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

BUROCRACIA - Normalmente usado com sentido pejorativo, o termo burocracia tem o significado de uma administração pesada, com muitíssimas regras, divisões, procedimentos extensos e redundantes, controles e conferências geralmente desnecessários a um bom funcionamento do sistema. Haverá muita burocracia em Portugal? Será Portugal um país de burocratas? O melhor é começarmos por ir a uma Junta de Freguesia ou a uma Câmara Municipal para tirarmos tudo a limpo. Pedimos um atestado de residência numa Junta de Freguesia e, que vimos nós? Três ou quatro funcionários, todos ao monte, perguntam-nos o que desejamos e, ainda mal dissemos o que queremos e já estão todos pegados uns com os outros para nos tratarem do assunto. Um diz que o atestado está pronto na quarta, outro na quinta, outro ainda que só na sexta, e logo vem um outro que diz que não pode ser, pois que o presidente só assina atestados à segunda e nada mais. Em que ficamos então? O melhor é vir na terça, uma semana depois, pois é verdade que o senhor Presidente assina às segundas, mas só os atestados pedidos até às 12 horas da segunda feira da semana anterior. Lá nos preparamos, então, para nos vir embora sem o atestado, do tamanho de uma simples folha de papel A4, que em qualquer país do norte da Europa seria entregue no mesmo dia ou até na hora. Lá nos despedimos, pois, mas os três ou quatro funcionários que nos atenderam ainda lá ficaram acesamente a discutir sobre as vantagens e desvantagens de pedir atestados às terças ou às quartas.

 

Mas se nos deslocarmos a uma Câmara Municipal qualquer a burocracia desnecessária lá será inevitavelmente encontrada em qualquer canto e esquina. É o porteiro para ali, é o chefe de secção para acolá, é o chefe de departamento para cima, é a secretária para baixo, a licença não foi emitida porque a vistoria não foi efectuada, a vistoria não foi efectuada porque os técnicos andam noutra freguesia por ordem do senhor presidente, que é o principal responsável pelo pelouro, mas o senhor presidente não está porque pediu licença (anda atarefado em campanha eleitoral no concelho vizinho, para ver se ganha aquela Câmara, muito mais interessante...), talvez o senhor vice-presidente possa desenrascar, mas oh... não... não é possível... o senhor vice-presidente foi uma semana para o estrangeiro angariar potenciais clientes para investir no concelho. Nada feito! E lá vão mais dois meses desde a data em que a licença já devia estar emitida. Por este andar vão passar mais dois... a não ser... a não ser que me "chegue à frente com o pilim"... entenderam, não entenderam?...

 

 

 

 

 

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Um dia na vida de Reinaldo Fateixa, o "pescador"

Reinaldo Fateixa sempre foi um gajo de bem com a vida. O dia de hoje será sempre como um outro dia qualquer, começando logo pela manhã com uns quantos telefonemas de avaliação ao estado de espírito dos seus principais "amigos", entenda-se aqui como amigos aqueles de quem ele desconfie que possam ter algo de importante e com interesse para si. Se não for o caso não são amigos, mas outra coisa qualquer, que isto de perder tempo com tesos pinguelas não dá. Hoje, entre outros, começou logo por ligar ao Teles, coisa que já andava para fazer há umas semanas atrás. Trata-se de um contacto de extrema urgência, pois já lhe sopraram aos ouvidos várias vezes que o gajo anda na maior, com um carrão preto de dois escapes, que o sogro, já que a pasta é tanta, lhe deve ter passado a fábrica para as mãos ou coisa assim do genero e, claro, torna-se necessário uma manobra subtil de aproximação ao naco, do tipo... "Oi Teles!... deu-me umas saudades danadas do tempo em que andei contigo na Primária, tenho uma admiração por ti que nem imaginas, dá para tomarmos um copo um dia destes?" Picou?... não picou?... já vamos ver!...

 

Lançada a fateixa ao Teles, vamos pois ver no que a "pescaria" vai dar, que o dia ainda nem chegou a meio e ainda sobra muito "peixe" para fisgar. Está na hora de o Reinaldo ligar ao Amorim, aquele "amigo" que lhe foi apresentado como sendo uma "pessoa muito importante", gerente de banco ou coisa assim do género. Estes é que são bons, conhecem outros "amigos" também "importantes" e assim a abordagem torna-se muito mais fácil, funciona tudo em sistema de rede, pois claro, tipo networking. Parece que o Amorim comprou há dias uma bela quinta não sei para onde, lá para o Minho, e é necessário tirar a coisa bem a limpo... "Está?... Teles?... é o Reinaldo!... estás a ver quem é?... há que tempos não te via, pá, morro de saudades das nossas conversas. A minha mulher também gosta muito de conversar com a tua. Ainda por cima tens uns filhos tão lindos... o quê? estás para o Minho?... um dia destes passo por aí, se me convidares, claro!" 

 

Pronto, o Teles já está também aviado!... vamos lá ver no que a manobra vai dar. Já estamos a meio da tarde, será que ainda dá para lançar a rede a mais algum freguês? Porque não o Ilídio, aquele que tem um negócio de turismo rural ou coisa do género lá para Baião ou Marco de Canavezes, já nem sei bem? Se o gajo montou uma estrutura daquelas é porque está bem calçado, só pode ser. Deve ter herdado lá do tio ou sacado umas maquias ao Banco. O que importa é que tem bago, e não é pouco... "Oi Ilídio!... lembras-te de mim, o Reinaldo?... sou o amigo do Amorim, o gerente do Banco, ele é que me disse que tens andado lá para Baião. Não é Baião?... então é no Marco, não é?... ele bem me disse, pá, que tens para aí não sei o quê, uma coisa bem agradável, pelos vistos. É que, sabes, já estou farto do Algarve e agora deu-me para andar pelo interior. Pois... entendo... estás a começar... mas só irei aí em condições muito especiais... os tempos estão difíceis... é que nós cá em casa gostamos muito dessa zona... tu entendes, não entendes?"... e pronto, deixa lá ver agora se este "peixinho" vai picar!...

 

Admiro muito o Reinaldo Fateixa... com ele os dias nunca são monótonos, antes bastante empolgantes e produtivos!...

 

 

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

AUTORITARISMO - Um governo autoritário é normalmente caracterizado pela sua exigência de obediência absoluta e cega aos seus ditames e directrizes por parte dos cidadãos, geralmente escudado na suposta ideia de que as suas medidas são um mal necessário para eliminar problemas sociais detectados por todos. Embora não se possa dizer abertamente que Portugal seja hoje liderado por um governo autoritário na pura acepção da palavra, é contudo possível descortinar em algumas das suas medidas, enquadradas na chamada austeridade, formas de procedimento e implementação muito próximos do autoritarismo. Que se poderá chamar então ao autêntico assalto efectuado pelo governo PSD/CDS aos vencimentos dos pensionistas e reformados? Como qualificar a decisão unilateral do governo de reduzir brutalmente os vencimentos dos funcionários públicos? E a continuada destruição gradual do Serviço Nacional de Saúde para entregar áreas e valências inteiras a poderosos grupos privados? E o encerramento compulsivo, e sem discussão, de hospitais, centros de saúde, escolas e tribunais? Os senhores da troika e do governo logo nos dirão, contudo, que tudo isso foi e é necessário para salvar o país da bancarrota. Verifica-se, contudo, que o grande grosso das medidas de austeridade se dirigiram e foram impostas aos estratos mais débeis da população, nomeadamente às classes média e daí para baixo, em resumo... aos que vivem essencialmente dos rendimentos do seu trabalho, sem atingir, ao de leve que seja, os grandes grupos económicos e as famílias "donas disto tudo". Aliás, em Portugal o fosso entre ricos e pobres alargou-se escandalosamente ainda mais com a política governamental de austeridade. As medidas de alguns ministérios do governo de Passos Coelho, como os da Justiça e da Educação, só como exemplo, têm tresandado a um cheiro bafioso e pestilento a cego autoritarismo... somadas a doses escandalosas de pura e dura incompetência. Autoritarismo e incompetência são, aliás, já com Salazar, irmãos de longa data em Portugal... e não digam depois, como o Sr. Silva, que eu não vos "avisei"!...

 

 

 

 

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Deambulações sem nexo de um grande chato

De tempos a tempos dou-me a pensar se valerá mesmo a pena queimar os meus neurónios com assuntos tão sérios como o futuro do meu país, a educação e os princípios que ensinei aos meus filhos, o esforço contínuo para acompanhar a evolução da sociedade, a necessidade de me informar e adquirir livros e mais livros, conhecer novos autores e teorias sempre em evolução. Para quê tanta preocupação com assuntos relativamente aos quais a grande maioria das pessoas não passa nenhuma bola e nem está para aí virada? Será que isso de querer ser cidadão integral e a tempo inteiro leva alguém a algum lado neste país? Acho que tenho mais dúvidas que certezas sobre o assunto.

 

Quando olhamos para o lado que vemos nós? Ali vai o António, um gajo que nunca teve pruridos com coisa nenhuma, sempre que abria a boca saía sujeira, já esteve inscrito nos partidos A, B, C e D, já rastejou e bajulou safardanas que se farta, mas, olha o gajo, todo maneirinho, fatinho Hugo Boss, carrão bojudo à porta de casa, aparentemente numa boa e irradiando riqueza e felicidade. Olha, ali vai o Filipe, o tal que andou a colar centenas de cartazes do MRPP e era um acérrimo defensor da ditadura do proletariado e, incrível, é vê-lo agora como secretário de estado, pelo PSD, no ministério da solidariedade e segurança social, com uma boa maquia no pocket todos os meses. Mas que latosa, hein?... de um simplório caga-tacos aos berros contra o social-fascismo, lá se enfiou na gamela das Misericórdias e da caridadesinha e, em três pulos, aparece agora, como que por magia, bem agarradinho ao poleiro que controla os milhões da Segurança Social. Isto para não falarmos do Afonso, aquele gajo que berrava com quanta força tinha na assembleia municipal contra o PSD e a direita, mas o presidente da câmara, que era um gajo fino que se farta, lançou-lhe a fateixa e fez-lhe uma proposta de pegar ou largar: passar para a lista do PSD nas próximas eleições, tacho garantidinho a carregar papeis de um lado para o outro e a mandar uns bitaites nos serviços camarários, ordenadão de morrer e chorar por mais, a partir de quatro dígitos, carro a tempo inteiro e dúzias de secretárias e assistentes louras, morenas e ruivas a entrar e a sair o dia inteiro lá do gabinete. Era pegar ou largar. O que é que achas que ele fez?... aceitou de caras, pois claro!... quem não aceitaria?

 

Para quê então procurar ser um cidadão exemplar? Que adiantam os bons princípios como forma de vida se o que está a dar é a bandalheira e o safe-se quem puder? Que adianta investir na formação e no trabalho se a forma mais rápida e eficaz de subir na vida neste país é, pelo que vimos, esquecer a ética e os princípios e apostar na traição subterrânea e no oportunismo? Para quê dizer a um filho para se matar a estudar para garantir um melhor futuro, se os que vão dirigir o país nem sequer estudam e compram os cursinhos universitários como quem compra video games?

 

Bem sei que este país não é para inteligentes, mas para os espertos. Mas então, se são os espertos que têm dirigido assim tão bem este país... porque estamos afinal há tantos anos a chafurdar na merda?... ou estarei eu agora a querer ser inteligente?...

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

AUSTERIDADE - Austeridade, em teoria económica, tem o significado de controle rigoroso dos gastos com vista à diminuição do déficit público. A austeridade que vem sendo implementada em Portugal tem muitas outras nuances, nomeadamente, e desde logo, por nos ter sido imposta pela troika, composta pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. Sendo negociada pelo PS, PSD e CDS e imposta aos portugueses como virada para cortar as ditas "gorduras do Estado", mais não tem sido até hoje do que um escandaloso e desumano assalto aos direitos dos reformados, pensionistas, funcionários públicos e, de uma forma geral, dos cidadãos mais desprotegidos da sociedade. A austeridade tem representado em Portugal golpes mortais e avassaladores no Serviço Nacional de Saúde, nos Hospitais, nos Tribunais, na criação de emprego, com centenas de milhares de desempregados, nomeadamente com milhares de jovens a enveredarem pelo caminho da emigração, repetindo o caminho dos seus pais e avós dos anos 60 do século passado. Em simultâneo, o aparelho de estado onde se acoitam os milhares de membros dos partidos do chamado "arco da governação" (PS, PSD, CDS) permaneceu intocado, com milhares deles a invadirem autarquias e secretarias de estado, com ministros e deputados a chegarem de "lambretta" e a terminarem com brutos Mercedes (Pedro Mota Soares), já que andar de Clio feriria a sua dignidade (Francisco Assis). A austeridade tem tocado largas camadas da população portuguesa, deixando um rasto de fome encoberta, miséria, abandono escolar, emigração, famílias desfeitas, devolução de habitações aos bancos, contas de energia e água por pagar, suicídios, marcas profundas que permanecerão por dezenas de anos. Mas a austeridade não tocou nos grandes interesses, nas chamadas parcerias público privadas (PPP's) com as grandes empresas e grupos económicos, nos grandes grupos financeiros, sendo estes até beneficiados com ajudas vultuosas de centenas de milhões de euros (BCP, BPI, CGD, BANIF). A austeridade em Portugal tornou o pais como um todo mais pobre, aumentou o fosso, já de si abismal, entre os mais ricos e os mais pobres, criando entretanto grandes oportunidades para os já de si endinheirados se apossarem dos bens dos que entretanto foram engolidos pelas falências e a austeridade.

 

 

 

 

 

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Quando era puto queria ser jogador de futebol...

Quando era puto queria ser jogador de futebol. E não era para admirar. Eram os tempos do Eusébio, do Simões, do Torres, do José Augusto, do Coluna, do glorioso Benfica, dos Magriços de Inglaterra. Eram tempos mágicos para mim, só via bola e mais nada. Caminhava pelas ruas e só me via sonhando a correr com os pés no esférico, os espectadores a aplaudir-me e eu, fintando tudo e todos, a emprastar com a bola bem no fundo da baliza do adversário. Eram os tempos dos três F's... Fado, Futebol e Fátima. De fado não gostava muito, era todos os dias e a toda a hora na rádio e na TV. De Fátima mais ou menos, pois lá em casa a religião tinha então um peso enorme e era comer e calar. Do futebol sim, era com gosto que aos sabados e domingos jogava de manhã à noite, dando literalmente cabo do par de sapatos que os meus pais com tanto esforço me compravam. Mas tudo deu em nada. Tinha força mas, pelos vistos, não tinha jeito, ou então não me toparam devidamente, enfim, ainda fui ao Vilanovense, o clube cá da terrinha, mas não me fisgaram. Fim do sonho... que a vocação era outra.

 

Aos vinte anos o que mais queria era ser politico. Por alturas do 25 de Abril, frequentava eu a Escola Secundária à noite, como trabalhador-estudante, a revolução envolveu quase toda a gente, uns a favor, outros contra. Eu era a favor porque sentira na pele o que era fazer parte de uma família trabalhadora em Portugal, cujo chefe de família se vira obrigado a emigrar para sustentar a prole e garantir um futuro mais risonho. Havia que lutar por mudanças profundas no país, que intervir como cidadão empenhado na mudança. Lia muito, centenas e centenas de livros extra escolares, lia sobre política, filosofia, história, literatura, arte, arqueologia (gostava então, e ainda gosto muito, de arqueologia). Interessei-me também por linguas, a nível escolar e como autodidacta. Foram anos de muito empenho e dedicação às transformações democráticas no país, mas muito pouca dedicação a mim e à minha família. Paguei pessoalmente, com a minha família, um alto preço pele meu empenho... enquanto muitos outros "democratas", de cravo ao peito, tratavam da sua rica vidinha.

 

Agora, quando já devia era ter juízo, ando numa de Indiana Jones. Há uns anos atrás achei que devia perder um pouco mais de juízo e deixar-me dessas histórias de querer mudar o mundo a qualquer preço. O mundo tem mudado e vai continuar a mudar e outros virão que, muito mais expertos do que eu, lhe darão a volta muito mais subtilmente. Decidi então fazer a "revolução" dentro de mim mesmo e deixar que os outros façam a sua quando muito bem entenderem. Eu não sei nada, e tenho até mais dúvidas que certezas. Atirei-me então para a frente, fazendo o que já devia ter feito à uma dezena de anos atrás. Mas valerá a pena repescar sonhos antigos e dedicar-me a desafios de difícil concretização. Valerá a pena fazer em adulto, já cota, tudo o que os outros fizeram em meninos. Certezas não tenho, nem ninguem as tem, mas uma coisa eu sei e sinto-o dentro de mim... 

 

                                                                                                                                enquanto tiver um sonho estou vivo!...

 

                    

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA - A Assembleia da República, segundo a Constituição, é a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses. Os seus deputados são eleitos para mandatos de quatro anos, mas nada é mais comum que ver as mesmas caras durante dois, três, quatro e mais mandatos seguidos. Supostamente, os deputados eleitos representam os seus eleitores e têm com eles o compromisso de os representarem devidamente e defenderem os seus interesses enquanto eleitores. Mas será que a grande maioria dos deputados eleitos cumprem ou têm cumprido efectivamente as suas promessas eleitorais? Quantos deputados vimos já, no final do seu mandato, dirigirem-se aos que os elegeram e prestarem contas do seu trabalho? Quantos deputados prestam contas das suas intervenções, das propostas que fizeram, das suas votações a favor e contra, das suas presenças e faltas? E a quem devem os deputados fidelidade? Aos seus partidos ou a quem os elegeu?

 

Na maioria dos casos, os candidatos a deputados em condições de serem eleitos aparecem nesses lugares não como resultado da sua intervenção cívica como cidadãos, mas sim em resultado da sua fidelidade aos diversos clãs que dominam de momento os partidos, aos compromissos subterrâneos que mantêm com os mais diversos potentados económicos. Não se chega geralmente a deputado, e se segura o lugar, através da intervenção séria e desinteressada em defesa dos "sagrados" interesses das populações. Esse é um caminho um tanto ou quanto romântico que depressa será abandonado mal o enebriado deputado se alape na rica e fofa cadeirinha de S. Bento, cheio de boas intenções. Mal isso aconteça, imediatamente outros poderosos interesses se levantam. Não há verdadeira democracia, não há socialismo, não há social democracia... há os interesses dos poderosos e pronto! Quantos deputados protestaram já contra os cortes nas reformas e, passado uns meses, votaram a favor dos cortes nessas mesmas reformas? Quantos deputados votaram já contra os aumentos escandalosos dos impostos e, tempos depois, votaram a favor do aumento desses mesmos impostos? Quantos deputados protestaram veementemente contra as "gorduras do Estado" e depois, mais tarde, vimos os governantes dos seus partidos encherem os ministérios com as contratações mais gordurosas que se possam imaginar? Quantos deputados teceram loas à necessária ética na vida política e depois apareceram ligados aos mais escabrosos escândalos políticos, económicos e financeiros?

 

Mas, afinal, que democracia representativa é esta que temos vindo a presenciar no nosso país? Elegemos deputados para que estes representem os reais interesses das populações ou para servirem antes os interesses de meia dúzia de grupos económicos? Para que serve um deputado se ele próprio vota descaradamente contra os interesses de quem o elegeu? Porque elegem os cidadãos deste país, na sua maioria, uma cambada de oportunistas e não assumem antes estes mesmos cidadãos, nas suas mãos, o seu próprio destino?

 

Enquanto não respondermos todos a estas e outras questões do mesmo teor, Portugal como país continuará a ser uma miragem... na cauda da Europa!...

          

 

 

 

 

 

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