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russomanias

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Os bons e os maus da fita

Na maioria das vezes temos a tendência para tentar separar os que giram à nossa volta em bons e maus, em capazes e incapazes, em honestos e desonestos, em alegres e tristes, em quentes e frios e por aí fora. É costume dizer-se que agir assim é como ver um filme a preto e branco, em que as nuances das mil e uma facetas da vida puramente se esbatem ou desaparecem. Vem isto a propósito da demissão de Miguel Macedo, do PSD, de Ministro da Administração Interna na semana que passou e da opinião generalizada de que tomou a melhor atitude que poderia tomar.

 

Como se pode constatar pela larga maioria dos comentadores políticos da nossa praça, este governo tem graves problemas para resolver nos Ministérios da Educação e Justiça e os seus ministros estão completamente desacreditados junto da opinião pública, teimando em manter-se no poder a qualquer preço, somente para tentar preservar a imagem de solidez de toda a equipa governamental. Estes ministros não são bons nem maus, pura e simplesmente já ninguém lhes dá crédito nem ninguém confia neles. Já se deveriam ter demitido e ido embora há bastante tempo, para bem do país, da imagem do governo... e deles próprios. Mas não, teimam antes em manter-se a qualquer custo, com manobras de diversão que já não enganam ninguém. Para qualquer governo que se preze, qualquer um deles já deveria ter sido corrido há muito tempo.

 

Miguel Macedo, Ministro da Administração Interna, uma das poucas figuras do governo merecedoras até agora de algum respeito e crédito, perante uma beliscadura de raspão na sua imagem de governante impoluto e incorrupto, não esteve com meias medidas e pediu de imediato a sua demissão ao Primeiro Ministro, alegando perda da autoridade que julga sempre dever ter quem ocupa posto governativo de semelhante responsabilidade. Com esta sua atitude, mais do que sacudir qualquer suspeita sobre a sua real actividade no Ministério (no melhor pano por vezes cai a nódoa, não esqueçamos!...), demonstrou ter aquilo que hoje muita falta faz à grande maioria dos que têm governado este país... hombridade!... com esta sua atitude, independentemente de gostarmos ou não dele e do partido de que faz parte, ganhou igualmente junto de muito portugueses uma outra devoção cada vez mais difícil de encontrar e até rara, e que se chama... respeito!...

 

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

FUGITIVO - Quem se lembra daquela célebre série de televisão americana "O Fugitivo", seguida pelo filme, com o mesmo nome, interpretado por Harrison Ford? Pois é, em Portugal também temos os nossos "fugitivos", nomeadamente no terreno da política, que é o que nos interessa agora. Os "fugitivos" portugueses são eminentes figuras políticas de primeira grandeza que, de um momento para o outro, e perante a envergadura e dificuldade das tarefa nacionais colocadas pela frente, viraram o bico ao prego e puzeram-se a andar para outras paragens enquanto era tempo de evitar sairem chamuscados. Engraçado contudo que, em detrimento da opção inicial de assumir os destinos do país e conduzir este a bom porto, tenham optado por posições de fachada e internacionalmente submissos, mas sempre com um denominador comum... principescamente bem remunerados!... 

 

Alguem se lembra ainda de António Guterres, Primeiro Ministro do XIV Governo Constitucional? Quando, em Dezembro de 2001, perante a derrota do Partido Socialista nas Eleições Autárquicas desse mês, que fez o homem?... por-se ao fresco foi a solução que encontrou! Isto de estar a aturar o país, o próprio partido e a oposição não dá nem ninguém fica rico com tal. Solução? Há que falar aos amigos da "Opus", sempre tão bem colocados, e encontrar uma solução condigna de tão brilhante crâneo político. E lá aparece então a oportunidade tão esperada: a de Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, tarefa penosa e igualmente trabalhosa, pois isto de ordenar às catrapazadas de elegantes secretárias para telefonarem a uns quantos presidentes e monarcas ricos para alargarem os cordões à bolsa e contribuirem para a "sopa dos pobrezinhos" não é tarefa para qualquer um. Claro que já mais difícil no cargo é ter de se deslocar periodicamente, com aquela cara de bem dormido, nutrido e alimentado, às concentrações de refugiados esfomeados e sem tecto nas mais escaldantes e desérticas localidades.

 

Outra figura notória a ter na memória é a do social-democrata Durão Barroso, Primeiro Ministro do XV Governo Constitucional, lugar do qual se demitiu em Junho de 2004. Já em 15 de Março de 2003, na famosa Cimeira dos Açores, Durão Barroso jogou forte na sua posterior carreira política, ao sentar-se ao lado de George Bush, Tony Blair e José Maria Asnar e subscrever o "ultimato" que desencadeou a invasão do Iraque, sob a alegação, posteriormente considerada falsa, de que aquele país possuía material bélico atómico. Repare-se que na Comunidade Europeia mais nenhum outro país alinhou na absoluta "certeza" dos participantes da Cimeira, nem sequer a sempre compreensiva e fiel Angela Merkel. Tão assombrosa prova de "fidelidade" cega por parte do nosso insólito portuga Durão aos obscuros objectivos do Tio Sam só podiam ter como consequência uma promoção futura para um posto de fachada mas de alta confiança. E a oportunidade chegou. Que se dane essa insignificante lusitana mania da hombridade... ser Presidente da Comissão Europeia é que é bom, mesmo que seja só a fazer de conta, pois quem manda mesmo e dita leis é, exclusivamente... a Senhora Angela Merkel!...

 

Outros "fugitivos" andam por aí... mas estes são os politicamente mais interessantes, destacados e famosos.

Aquele terrível Taliban

Oxalá que pelo facto de me referir aqui ao meu terrível Taliban, não venha um dia destes a ser incomodado pela CIA ou pelo FBI por ter aqui escrito o termo "Taliban". É que, não sei se sabem, mas os nossos amigos e conselheiros americanos parece que têm um sistema qualquer a funcionar na "net" que capta e regista, "just in time", todas as palavras que possam trazer perigo para sua hegemonia a nível mundial. Ora a palavra "Taliban" pode muito bem ser um desses casos, já que, embora tenham sido os próprios americanos a inicialmente dar treino e apoio aos ditos talibans, aquando da invasão do Afeganistão pela antiga URSS, nos idos anos de 80 do século passado, agora toda a gente sabe que os americanos já não vão na bola desses adoradores extremos do profeta Maomé. É que, diga-se já, e para poupar o precioso tempo aos ex-amigos americanos de Snowden, o meu terrível "Taliban" é apenas e tão só um destro e simpático... gatinho!...

 

Pois é, eu sou um indefectível admirador de gatos, gatas e gatinhos e pelo-me todo por analizar e apreciar o comportamento e destreza destes nossos amigos felinos. Além do mais, sou muito tocado pela independência e maneira de ser dos inteligentes gatinhos, que confiam no dono... mas sempre desconfiando. Acontece que há uns tempos atrás adoptei, em regime de liberdade total, um desses espertos e ágeis bichinhos, a quem alguém que trabalhava em frente à minha casa deu o nome de "Taliban", certamente pela sua rebeldia. Tinha eu nessa altura um periquito numa gaiola e costumava, nos dias de sol aberto, pendurar a dita gaiola num ponto alto do terraço exterior da minha habitação. E não é que o nosso "Taliban" engraçou com o passarinho? Observava-o, observava-o, sempre muito atentamente e muito quietinho, esticando o pescoço quanto podia para poder observar melhor. Eu, admirado, contei a cena a um amigo, que me disse logo: "o gato vai-te apanhar o pássaro"!... e eu: "estás maluco pá, o pássaro está muito alto"!... "Está muito alto?... mete na cabeça pá, o gato vai-te papar o pássaro", prosseguiu o amigo... Os dias entretanto passaram e eu, sempre que fazia sol, lá punha o periquito cá fóra e, descontraído, o persistente "Taliban" continuava na dele, observando, esticando o pescoço. Ele na dele e eu não minha... "está muito alto gatinho, não chegas lá"!...

 

Um dia de sol raiante, estava eu descontraído em casa despois de ter posto o pássaro cá fora, oiço um estrondo enorme no terraço e disse para mim mesmo... "não acredito"!... a gaoila estava no chão, de porta aberta, e o "Taliban" a correr, assustado, para cima do muro das trazeiras. Em resumo: o "Taliban" deu um salto de mais de dois metros e atirou com a gaiola ao chão... só não conseguiu foi apanhar o periquito, que fugiu para o pinhal. O "Taliban" não conseguiu... mas tentou!...

 

De quantas coisas nos queixamos nós que não conseguimos na vida, quantos objectivos achamos difíceis de concretizar... sem tentarmos sequer?...

 

É por estas e por outras que adoro gatinhos!...

 

 

 

 

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

ESQUERDISMO Muito se tem escrito sobre o esquerdismo em política. Já Lenine, na sua obra "Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo", abordou o tema. Mas também em Portugal autores como Álvaro Cunhal abordaram a matéria, nesta caso na sua obra "Radicalismo Pequeno Burguês de Fachada Socialista". No fundo, o que será o esquerdismo? Segundo aqueles autores, e em poucas palavras, mais não se trata do que de "grupos" e "grupelhos" de partidos pequeno-burgueses de pseudo "opção socialista", que usam e abusam do "verbalismo esquerdista". Veja-se o caso do Bloco de Esquerda, composto inicialmente pela UDP, PSR e Política XXI. À primeira pancada a sério que levaram no campo eleitoral, por falta de credibilidade das suas propostas, começaram a esfrangalhar-se até hoje, sem parar. Do Bloco de Esquerda já nasceu o Livre... mas vários outros Livres estão já na calha para nascer, uns a sul, outros a norte, mas virão ainda os do centro!

 

Hoje em dia faz já falta escrever mais umas obras actualizadas sobre o "esquerdismo" actual. Talvez o Pacheco Pereira, que também por lá andou, um dia destes se abalance à tarefa. E dou-lhe já uma dica para um possível título dessa obra porventura a nascer: "Esquerdismo, a Melhor Passadeira para o Carreirismo". E que melhor título poderemos nós arranjar para essa catrapazada de pseudo-"esquerdistas" verbosos que por aqui andaram a vociferar contra a "sociedade burguesa", mas que afinal outra coisa não queriam que alapardar-se nos doces e fartos... cadeirões do Poder? Claro que não foram assim centenas de milhares deles, mas foram os suficientes para nos andarem a moer hoje a placa com a infamante e vergonhosa"austeridade necessária" da Senhora Merkel, com o perdão fiscal para os mais ricos e as "cantinas da sopa para os pobres", com a educação privada, paga pelo Estado (por todos nós!...), para os ricos, e a educação a granel e sem professores para os "pobres". Claro que falamos aqui dos Barrosos, dos Branquinhos e dos Cratos que por aí andam hoje... ex-"esquerdistas" que mais não queriam do que chegar depressa, mas muito depressa, ao opulento e faustoso... ambicionado Poder!... E eles aí estão!...

O português suave que não aguentou mais e ferrou o cão

Toda a gente conhece o cruzamento do Rego da Água, na freguesia da Madalena, Vila Nova de Gaia. Não sei se já repararam mas o local é servido por uma paragem de autocarros dos STCP. Aqui há uns anos deu-se por lá uma cena de bradar aos céus e de partir a moca e que para mim é, ainda hoje, um verdadeiro exempo do que deve ser um verdadeiro português suave. Num belo dia, logo pela manhãsinha, estava a dita paragem de autocarros no Rego da Água repleta de passageiros para apanhar o 57 para a Praça Almeida Garrett, no Porto. Homens, mulheres, crianças e idosos aguardavam, nervosos, a sua vez para poder entrar na viatura, que já se aproximava. Quando tudo parecia que ia correr pelo melhor, eis que aparece ali um corpulento cão a rosnar e a ameaçar raivosamente cada passageiro que tentasse subir as escadas para entrar. No café em frente, um ainda meio sonolento e pacato português suave observava a cena.

 

Todos os dias, pela manhã, na dita paragem, o assanhado "dog" repetia a dose e causava autênticos calafrios e medo a todos quantos usavam a dita paragem do autocarro para fazer seguir as suas duras vidas para a frente. De cada vez que se repetia a cena, lá estava o nosso português suave, em frente, a cofiar o seu bigode e a observar a aflição dos passageiros perante as arremetidas perigosas do cão. É que, pasme-se, todos tinham receio do bicho, e muito medo até, mas, como acontece tantas vezes neste belo país à beira mar esquecido... ninguém fazia nada!... e uma desgraça, todos falavam (só falavam, entendem!?...) um dia certamente aconteceria ali, na paragem do autocarro, em pleno Rego da Água. Mas um belo dia, preparava-se já o enorme bicho para ameaçar de novo o pessoal, eis que sai disparado do café em frente o agora decidido e imparável português suave, que corre, rápido, em direcção ao provocador e perigoso cão, atirando-se para cima dele e, ao mesmo tempo, agarrando-o no focinho, pregou-lhe de seguida com duas valentes ferradelas no pescoço. Perante a admiração e o espanto de toda a gente, ouviu-se um pungido e certamente doloroso... caín!... caín!... e o corpulento e raivoso cão lá se foi, para sempre, daquela paragem de autocarros, deixando de ameçar quem se não metia com ele.

 

Por isso, meus amigos, que jeito nos fariam nos dias de hoje uns quantos portugueses suaves com esta presença de espírito e deste calibre... é que, infelizmente para a maioria, andam para aí uns quantos "cães" raivosos a ladrar e a ameaçar sem terem razão!...

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

ESQUERDA - Isto do que é esquerda ou direita em política é sempre uma chatice. Habitualmente, consideram-se de esquerda os partidos sociais-democratas, socialistas, comunistas, progressistas, ambientalistas, anarquistas, ecologistas e alguns outros grupos conectados com a defesa dos direitos humanos. Aparentemente será assim, mas nem sempre as aparências coincidem com a realidade. Senão, vejamos: podemos afirmar com plena certeza que o Partido Social Democrata - PSD é na realidade um partido de esquerda em Portugal? Como dizia o meu tio-avô Bonifácio, eis aqui uma pergunta de duzentos mil reis!...

 

Tenham lá santa paciência, mas o PSD em Portugal é tudo menos um partido de esquerda!... onde se viu já um verdadeiro partido de esquerda cortar nas pensões dos reformados e pensionistas e entregar entretanto de mão beijada milhões de euros aos pobres dos banqueiros?... onde se viu um partido de esquerda mandar fechar hospitais, escolas e outros serviços públicos com o argumento da necessidade de poupança e, entretanto, baixar os impostos das grandes empresas?... onde se viu, ainda, um partido que se intitula de esquerda mandar cortar nos abonos das famílias com filhos com o argumento da necessidade de uma melhor redistribuição e poupança e, sem pejo nem vergonha, gastar milhões na compra de viaturas de luxo para os meninos e meninas do seu partido se pavonearem à saída dos ministérios?... isto para já não questionar se o Partido Socialista - PS terá sempre tido uma política de esquerda em Portugal, facto que eu, como muitos outros, duvidam!...

 

Por isso, meus ricos filhos, ponham-se a pau com algumas esquerdas que para aí andam, pois que, como muito bem sabia dizer a minha avósinha Josefina, que não tinha estudos mas lerda não era... "anda para aí muito lobo disfarçado de Coelho"!...

 

 

Oi meu Brasil!...

Um dia destes li já não sei onde que certos pensadores brasileiros são de opinião que bem melhor teria sido para o Brasil que, em vez dos portugueses, tivessem sido os holandeses a colonizar o Brasil. É na verdade bem sabido que, em resultado da chegada dos Filipes de Espanha a Portugal, a partir do ano de 1580, os holandeses andaram lá para os lados do Maranhão, mais precisamente no actual Recife, a tentar montar a tenda para estender o seu domínio ao Brasil inteiro. Certamente que aquela opinião tem as suas raízes no facto de alguns pensarem que os colonizadores portugueses do Brasil não passaram de uns aventureiros trogloditas atrasados e sem cultura, católicos conservadores, ao contrario dos colonizadores holandeses, mais aburguesados, calvinistas, liberais e... com capital.

 

Como português com os pés bem assentes no chão, naturalmente que não vou contestar, ou sequer duvidar por um momento que seja, das possíveis virtualidades de um actual Brasil com raízes na Holanda. Gostaria de o imaginar até, mas o exercício torna-se-me difícil. Reza a lenda que o nome Brasil poderá ter tido origem no famoso pau-brasil, árvore abundante na costa atlântica brasileira. Mas que nome teriam dado ao actual Brasil os racionais, secos e interesseiros colonizadores holandeses, o nome de alguma pedra?... ou seria antes Brazilië?... para mim a ortografia não soa, perde a elegância! Quando olho para as actuais Indonésia, África do Sul ou as Caraíbas, locais por onde assentaram barraca os empertigados e frios colonizadores holandeses, não vejo uma ponta sequer de possíveis vantagens que eles possam ter trazido para aquelas paragens e povos e que sejam assim tão superiores às que os portugueses deixaram no Brasil.

 

Uma coisa eu sei, se os portugueses não tivessem andado pelo sul do continente americano e fixado raízes nesse grandioso e belo país, certamente não existiria hoje o doce e encantador português do Brasil, tenho dúvidas que o povo brasileiro fosse tão rico e entrosado de povos e culturas, possuísse aquele suave e admirado encanto que tanto cativa os estrangeiros que visitam o país. E os portugueses são sempre os primeiros a admirar e a gostar do povo brasileiro!...

 

Oi meu Brasil!...

 

 

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

DEMOCRACIA CRISTÃ - Ideologia, pensamento e movimento político que pretende sustentar a sua acção nos princípios e ensinamentos cristãos, tendo como porta-bandeira a defesa da liberdade, da solidariedade e da justiça. Restringindo-nos somente a Portugal, já que outras experiências existem por esse mundo fora, podemos afirmar que tem sido o CDS-PP - Centro Democrático Social/Partido Popular, quem se tem arreigado como profeta e apóstolo da verdadeira democracia cristã, facto em si nada condenável, já que cada um e cada partido democrático é livre de construir a sua base e fundamento naquilo que achar mais conveniente para a transformação positiva da sociedade. Aqui chegados, resta verificar se a intervenção política diária do CDS-PP se tem ou não pautado por aqueles princípios caracterizadores da democracia cristã. E é neste preciso ponto, como dizia o meu saudoso tio Marcolino... que a porca torce o rabo!...

 

Será o CDS-PP um partido que em Portugal tem defendido uma verdadeira solidariedade democrata-cristã? Por obra certamente do sempre imprevisto acaso, quem tem ocupado ultimamente em Portugal o lugar de Ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social é precisamente o militante do CDS-PP Senhor Pedro Mota Soares, um simpático e esclarecido senhor sempre tão preocupado em ser solidário com os outros que mal chegou ao seu Ministério mandou logo encostar a "lambretta" com que se deslocava nas confusões de Lisboa e ordenou que se colocasse à porta um espaventoso e bruto Mercedes. Como sua primeira medida, deu logo para ver o que viria a seguir: não tardou em ordenar o corte aos abonos e apoios de milhares de famílias com filhos, colocando milhares de crianças na senda da pobreza, cortou nos complementos solidários para idosos, nas pensões e reformas de milhares de reformados. Mas não foi tudo. Os desempregados de longa duração, em tempos de desapiedado desemprego e forte austeridade, viram o fundo de desemprego reduzido de 36 para 18 meses, estando hoje milhares de desempregados a viver sem qualquer tipo de apoio digno e na mais escandalosa miséria. Onde podemos descortinar aqui uma réstia que seja da tal solidariedadejustiça democrata-cristã? Onde encaixar aqui os verdadeiros princípios cristãos, de que tão bem tem falado o Papa Francisco, no meio de toda esta indignidade humana e vergonhosa actuação política?

 

Como dizia o meu sempre verboso mas tão certeiro tio Marcolino, o CDS-PP que pie fininho... com tanta besteira e sujeira junta, democrata-cristão por sinal não é!...

 

 

 

 

 

Portugal... esse país riquíssimo!...

Por vezes dou-me a pensar quais as razões que estão por detrás do nosso atraso em relação a outros pequenos países da Europa como a Holanda, a Dinamarca, a Suíssa, o Luxemburgo ou a Bélgica. Será por estarmos mais a sul e com um clima mais quentinho e, em vez de trabalharmos no duro, passarmos mais tempo na praia? Ou então, religiosos como somos e foram os nossos pais, pensarmos mais no Deus lá de cima do que em nós próprios cá em baixo e... o trabalho fica por fazer? Também já pensei se não será em resultado de aquelas terras lá a norte serem mais planas que as nossas e nós, pachorrentos e malandrecos como somos, não estarmos para aí virados de subir e descer veredas e ladeiras só para encher um pouco mais a panela da sopa e acautelar e amanhar mais e mais para o futuro? Tudo isto não me parece contudo suficiente para explicar a diferença. Mas que será então? Que argumentos temos a favor e contra nós?...

 

Este pequeno país foi já capaz de correr mundos e espalhar-se por tudo o que é globo. Ainda os ingleses, os franceses e os holandeses andavam de cuecas e Portugal e os portugueses de garra já andavam na Madeira, nos Açores, na Guiné, no Brasil, em Cabo Verde, em São Tomé, em Angola, em Moçambique, na India, na China. Mas agora, que somos novamente pequenos de tamanho, elementos de grandeza contudo não nos faltam, a começar por este extraordinário povo, capaz de aguentar as mais duras agruras no seu próprio país e ser ao mesmo tempo reconhecido lá fora, por tudo quanto é país por onde anda espalhado, como bom trabalhador, adaptável às mais variadas situações, com conhecimentos técnicos e cientificos meritórios e capazes, disposto aos mais duros sacrifícios para vencer na vida e, se possível, regressar ao rincão ibérico tão depressa quanto possa. E porquê o desejo de regressar?...

 

Regressar sim, porque somos um país lindo de morrer, aberto ao sol e ao mar o ano inteiro, porque temos tudo o que é de bom para viver, temos um país unido e sem querelas, temos os nossos mil pratos de bacalhau que mais ninguém tem, os nossos vinhos verdes, maduros, rosé, espumante e o nosso poderoso e requintado... Vinho do Porto. Mas temos também as nossas belas praias do fogoso Atlântico e as nossas doces, mornas e sonolentas praias do sul, que tanto encantam os actuais descendestes dos enregelados vikings. E que dizer da nossa rica história e dos nossos belos monumentos? Os nossos castros de origem celta, as nossas belas ruinas romanas de Conimbriga e Évora, o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Mosteiro da Batalha, os Castelos de Guimarães, de Lisboa, de Silves e muitas mais dezenas deles, igualmente assombrosos e carregados de história? E que dizer também das nossas sapientes Universidades de Coimbra, de Lisboa, do Porto, de Trás-os-Montes, de Évora, de Aveiro, do Minho, donde têm saído milhares de portentosos crâneos que espalham por todo o mundo os nossos conhecimentos?

 

Acham que é pouco?... a mim quer-me parecer que é mais que suficiente para podermos aspirar a ser, um dia, um pequeno-grande riquíssimo país no solarengo, doce e aprazível... sul da Europa.

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

DIREITA - Falamos aqui de "direita" enquanto força política, geralmente dela fazendo parte conservadores, fascistas, neoconservadores, reaccionários, neoliberais, monarcas, nacionalistas, nazis e outros grupos de intervenção pautados por uma visão retrógada do desenvolvimento das sociedades. A direita não é boa nem é má... é a direita e pronto. Quer se goste ou não da direita, a verdade é que sempre convivemos e teremos de conviver com ela... mesmo que por vezes nos saiba a óleo de figado de bacalhau. Para quem, como eu, viveu parte da sua vida sob o regime da direita mais reaccionária e retrógada de Salazar e Caetano, a verdadinha seja dita... fiquei farto de podridão, miséria, hipócrisia, exploração, religião fingida e balofa. 

 

Mas o que é interessante hoje em dia é verificar que a direita continua a andar por tudo quanto é lado, embora escondida debaixo das saias de várias outras siglas e chavões. Pergunta-se então:  onde param os partidos da direita em Portugal? Por que raio de vielas e calçadas andam eles? Pois é... eles estão cá, mas não querem ser chamados de "direita", têm medo que os "cotas" ainda se recordem dos tempos do Fátima, Futebol e Fado, preferem esconder-se debaixo do largo e amplo saiote da "social-democracia" (PSD), do "centro" (CDS-PP) e da "popular" monarquia (PPM), agora com tiques de ecologista. Mas em Portugal ainda não é tudo pois, por mais incrível que pareça, já não é a primeira vez que a nossa direita tem o atrevimento de se dessimular debaixo desse grande e esperançoso guarda-chuva que tanto tem atraído as massas e é chamado de "socialismo" (PS), situação que em Portugal tem ocasionado os maiores equívocos e confusões nas camadas mais populares do país.

 

Por isso, meus sagazes concidadãos, ponham-se finos enquanto é tempo... antes que engulam sem querer alguma "direita" travestida de outro engulho qualquer!...

 

 

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