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russomanias

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O país do nunca

Reconhece-mo-nos quase todos como um suavíssimo país de eleitos, de desenrascados, de chico-espertos. Sempre que surge a borrasca não nos embrenhamos, fugimos dela, não a enfrentamos. O país precisa de todos nós para concretizar a mudança, mas não a desafiamos... emigramos. Parecemos enguias fugindo entre mãos, não temos paciência nem pachorra para investir no presente para colher amanhã... no futuro. Há dias ficamos a saber que um português franganote decidiu meter numa carrinha de seis lugares nada menos que doze pessoas e tentou atravessar com elas parte da Suíssa, toda a França, a totalidade da Espanha e meio Portugal. Não tinha sequer idade para conduzir transportes públicos, a carrinha que dirigia vinha com o dobro da lotação e ainda um reboque a baralhar a marcha, conduzia de noite para fugir ao controle da polícia, ultrapassava tudo e todos para chegar à terrinha o quanto antes, parar para descansar já era e nem convinha, pois antes da Páscoa ainda havia muitos quilómetros para fazer e muitos "tugas" para transportar ao molho sem contabilizar no IRC. O final da história já todos sabemos... um aparatoso acidente e doze mortos.

 

Mas falemos também dos nossos heróis pedaleiros, aqueles milhares de homens, mulheres e crianças que se levantam todos os sábados e domingos de manhã e abafam as nossas estradas com as suas "bikes" em arriscadas manobras à "Speedy Gonzalez". Sobem e descem, pela direita e pela esquerda, tudo quanto é estrada e passeios destinados aos transeuntes. Pelo caminho sacodem por vezes os seus "inimigos" peões com as bocas do costume... "sai da frente ò merdas"!... e à noite alguns deles bitaitam no Facebook... "ninguém respeita os ciclistas"!... 

 

Por falar em ciclistas, já alguém viu um ciclista "tuga" perante um sinal vermelho ou um "stop" parar imediatamente a "bike"?... vocês não sei, mas eu... nunca!...