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russomanias

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Quando queremos... podemos!...

Quando se aproximam as eleições legislativas em Portugal, é interessante sabermos o que se vai passando lá por fóra quanto à disposição dos eleitores relativamente às políticas de dura austeridade impostas aos elos mais fracos da economia europeia, nomeadamente aos países do sul da Europa, em que Portugal, logo a seguir à Grécia, tem sido tratado como o pião das nicas da arrogante e insensata Sr.ª Merkel. Por conseguinte, revestem-se da maior importância os resultados das eleições autárquicas e autonómicas da nossa vizinha Espanha, não só para a assolada população do nosso irmão ibérico, mas igualmente para o próprio desenvolvimento político futuro em Portugal. É que, cá como lá, temos sido governados por dois grupos partidários com idênticas posturas relativamente aos ditames da dita Europa rica, ou do norte, nomeadamente o PSD/CDS e o PS, em Portugal e o PP e PSOE, em Espanha.

 

E o que nos dizem, pelo menos para já, os resultados das eleições em Espanha do passado domingo? Traduzido em números, o PP perdeu, relativamente às eleições de 2011, cerca de 2 milhões de votos, perdendo igualmente a maioria absoluta em numerosas autarquias e a Câmara de Madrid por uma unha negra que não passou para o novo partido Podemos. O PSOE, por seu lado, perdeu cerca de 700 mil votos e deixou de ser a segunda força política mais importante de Espanha. Isto é, o povo espanhol penalizou claramente a política de dura austeridade seguida por Mariano Rajoy, do PP, tendo igualmente cilindrado o PSOE, partido que tem feito parte do chamado "arco do poder" que tem mergulhado a Espanha em sucessivos escândalos políticos e financeiros.

 

Por conseguinte, que lição devem tirar os portugueses das eleições em Espanha? Entre outras, a de que... quando queremos podemos!...

 

 

Venham a correr meus amigos brasileiros!...

Podemos nem gostar de todas elas, mas que são bem feitas são. Refiro-me aqui às telenovelas brasileiras, que desde o ano de 1977 inundaram Portugal e têm feito as delícias de todos nós. Desde que cá chegaram os portugueses deixaram de mandar piropos foleiros às meninas, tipo "és toda boa!" ou "comia-te toda!"e passaram ao mais melodioso e romântico "você é linda, viu!", comovedora mudança social que tornou o nosso povo menos rude e mais sensível aos momentos belos da vida, para além de um pouco mais alegre e propenso à diversão. Depois veio a picanha, a farofa, a "maminha", a caipirinha... e foi o consumar da revolução!...

 

Soube-se há dias que os fogosos candidatos a primeiro ministro António Costa e Passos Coelho vão ter especialistas brasileiros em comunicação e marketing político a orientar as próximas eleições legislativas que se vão realizar em Portugal, o PS com Edson Athayde e o PSD com André Gustavo. Diz quem os conhece que é do melhor que por aí há, sendo Edson Athayde o "conselheiro" que levou António Guterres ao poder. Conhecimentos e capacidades não se discutem, pelo que se foram contratados pelos nossos maiores é porque são mesmo bons a "fazer a cabeça" do pessoal em época de ida às urnas, fazendo-os esquecer das "promessas" feitas e não cumpridas, do desemprego galopante, dos cortes nas reformas e nos ordenados dos funcionários públicos.

 

De uma coisa podemos nós ter a certeza: nenhum dos dois certamente famosos especialistas brasileiros em comunicação e marketing político nos vai explicar convincentemente como acabar com as vergonhosas e escandalosas diferenças entre ricos e pobres em Portugal. Mas se eu estiver enganado... venham a correr meus amigos brasileiros!...

 

 

O meu Partido sou eu!...

Por vezes dá-me mesmo para rir quando vejo um ou outro amigo meu pegarem-se por razões de ser este ou aquele partido o que melhor defende isto ou aquilo, o mais apto para isto ou aquilo, o mais verdadeiro de todos, o mais capaz para, o mais ou menos revolucionário, o mais socialista ou social-democrata do que, enfim, o mais prático ou o mais conservador para nos garantir um futuro risonho e promissor. Não é que eu seja um tipo descrente em ideais ou falho de objectivos, pelo contrário, é mais antes aquela situação de já ter visto tantos bons "filmes", tantas "curtas" e "longas-metragens", ter conhecido já tantos "políticos honestos", tantos "socialistas" e "sociais-democratas" verdadeiros, tantos "revolucionários" que deram a vida pelos "amanhãs risonhos", pela "sociedade sem classes", pelo inolvidável "homem novo" que, meus queridos e pacientes amigos, decidi desde há uns tempos a esta parte que teria de mudar de rumo e procurar adequar a minha única e simples vida... à própria vida!...

 

E no fundo, que vemos nós hoje que nos possa encaminhar e fazer acreditar que é esta ou aquela a solução mais segura quanto a garantir um melhor futuro para os cidadãos deste país? Já vimos socialistas e sociais-democratas no governo com políticas de direita, pelo que são a própria direita, os comunistas não têm estado no governo mas se lá chegarem fazem como os outros e sacodem para dentro e para os amigos, que é o que se tem passado em todos os países em que estiveram no poder, ou então indiquem-me lá um em que isso não aconteceu. É que o problema é que somos todos pessoas e o poder é um afrodisíaco poderoso e dá muito jeito às nossas ricas vidinhas. Então, "que fazer", como dizia Lenine? Eu por mim tenho uma teoria, que é a de que "o meu Partido sou eu", e por isso apoio aquele que no momento melhor servir os meus interesses como cidadão de pleno direito. 

 

Bem sei que se o tio Staline fosse ainda vivo e o primeiro ministro de Portugal, com esta minha teoria eu do Gulag não escapava, quem sabe até me mandasse de "férias" para a Lubianka ou para a Butyrka para me reduzirem a picado. Ufa!...

 

 

Melhor Escola não há!...

Um bom pai de família quer sempre o melhor para os seus filhos. A melhor alimentação, o melhor serviço de saúde, o melhor infantário... a melhor Escola. Os jovens que pensam em casar sonham desde cedo com tudo isso e, se concluem que não o poderão dar jamais aos seus filhos, por vezes desistem... ou então emigram. A procura de uma boa Escola vem no sentido de que exigimos sempre para os nossos filhos bons exemplos de educação, de estudo, de empenho, de trabalho, de solidariedade, de ética, de moral, de justiça, enfim, de tudo quanto nos ensinaram seriam os ingredientes para se viver em democracia e se obter bons resultados e sucesso na vida. E então nós, os pais, damos tudo, o possível e o impossível, para que os nossos filhos disponham dessas portentosas "ferramentas" para se abalançarem, porfiarem... e vencerem.

 

Mas então um belo dia vemos e ouvimos o Primeiro Ministro deste nosso radioso e incrível país elogiar alguém do seu próprio partido, a contas há anos com a justiça, cuja administração danosa num conhecido Banco causou cinco mil milhões de euros de prejuízo ao erário público, que tiveram de ser pagos a expensas das magras pensões dos reformados e dos salários dos funcionários públicos. Disse então o nosso Primeiro Ministro, com um sorrisinho na boca, que essa pessoa era um "empresário bem sucedido", que sabe bem que se "queremos vencer na vida... temos que ser exigentes, metódicos", não se importando nem pouco mais nem menos com os infelizes e maus exemplos para a sociedade vindos desse seu "amigo" de partido. Isto é, segundo ele o PSD é a melhor Escola em Portugal que podemos recomendar para os nossos filhos, pois aí abundam relevantes exemplos de "empresários bem sucedidos" que levaram Bancos à falência, pediram empréstimos e não pagaram, estão acusados de assassinar pessoas no estrangeiro e fogem à justiça, trabalharam em várias empresas mas sempre se "esqueceram" que tinham que pagar à Segurança Social.

 

Depois disto não procure mais, zele pelo sagrado futuro dos seus filhos... inscreva-os já na elogiada, promissora e galardoada "Escola" do PSD!... 

 

 

O 25 de Abril contado às criancinhas

Era uma vez um belo e frondoso país com mais de 800 anos, situado na parte ocidental, junto ao mar, duma rude jangada de pedra chamada Ibéria. Nesse pequeno país viveram muitos e variados povos antigos a que chamaram celtas, celtiberosgregos, fenícios, cartagineseslusitanos, romanos, alanos, vândalossuevos, visigodos, árabes e, mais tarde, dessa riquíssima e maravilhosa amalgama resultaram aqueles que hoje são conhecidos como portugueses, pelo que logo nos apercebemos de que estamos a falar do nosso conhecido, pacato e muito querido Portugal. Não vos vamos matraquear aqui com aquelas centenas de anos da nossa confusa mas empolgante história, em que estiveram à frente do país reis e rainhas das mais variadas vontades e linhagens, o que interessa, sim, é referir que os nossos bravos e destemidos antepassados, exímios navegadores e descobridores de especiarias e de metais e pedras preciosas, percorreram mundo e sacaram portentosas fortunas, mas que de todas essas pilhagens e riquezas pouco mais resta hoje que o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Convento de Mafra e umas quantas barrocas Igrejas.

 

Mais importante é dizer que a partir de Maio de 1926 e até 24 de Abril de 1974 esse pequeno país a que hoje chamamos o nosso Portugal viveu um longo período de ditadura de Salazar e Caetano, dois fascinoras que criaram e aperfeiçoaram a PIDE, polícia de perseguição política, proibiram a liberdade de expressão e pensamento, afundaram o pais na miséria e no analfabetismo, obrigaram centenas de milhar de portugueses a emigrar e tornaram o país num dos mais atrasados da Europa. Com a Revolução do 25 de Abril de 1974 e o derrube do ditador Caetano, foram muitos os que puseram rápido e alegremente o cravo vermelho ao peito e os portugueses conseguiram de novo a liberdade por todos almejada e puderam assim voltar a dizer e a escrever o que pensavam. O analfabetismo diminuiu a partir daí drasticamente e as condições de vida da população melhoraram substancialmente. Mas então, perguntam vocês, e com razão, porque será que hoje em dia mais uma vez as pessoas têm medo de falar, vivem mal, estão desempregadas, voltaram a emigrar às centenas de milhar, os alunos abandonam as escolas e as universidades e Portugal continua como um dos países mais atrasados da Europa?

 

A resposta que vos poderia e deveria dar seria para vocês, crianças, certamente um pouco longa e maçadora, pelo que vos deixo aqui, para poderem entender melhor, parte da letra de uma canção do José Barata Moura, muito certeira e esclarecedora logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 e que hoje se mantem muito actual:

 

 

Cravo Vermelho ao peito

A muitos fica bem.

Sobretudo faz jeito

A certos filhos da mãe!

 

 

Entenderam?... se não entenderam perguntem ao vosso pai ou à vossa querida mãezinha. Façam isso.

 

 

Se um dia tiver que ser pobre compro um Mercedes

Um dia um mecânico de automóveis meu conhecido, com oficina no Porto, ali para os lados do Amial, saiu-se com esta de que "o Mercedes é o carro dos pobres". Carago!... como é que o Mercedes é o carro dos pobres?...perguntei-lhe eu. E então ele lá me explicou: o Mercedes quase nunca avaria e as peças de origem duram que se farta. Como a mecânica é eficiente e simples, as eventuais reparações necessárias gastam menos mão-de-obra que os outros carros. A acrescentar a tudo isto, disse ele, compras um Mercedes e tens carro para vinte e tal anos ou mais, enquando as outras marcas, a partir dos quatro anos, já te começam a dar problemas. Como vês, disse-me ele, é um carro para quem tem pouco dinheiro. Fiquei a pensar no assunto e, nisto, veio-me à lembrança uma outra conversa que tinha tido há anos com um antigo motorista de taxis e que conduzira durante muitos anos os célebres Mercedes 180 e 190. Dizia-me ele: fazes um milhão de quilómetros com um Mercedes sem necessidade de abrir o motor e, quando o abrires, mudas os segmentos, rectificas as camisas, rodas as válvulas e... metes-lhe em cima outro milhão.

 

E foi precisamente por isso que entendi perfeitamente a aversão e o escândalo que fez, aqui há uns tempos, Francisco Assis, do PS, em pensar sequer na possibilidade de ter que comprar carros da marca Renault Clio para o Grupo Parlamentar do seu Partido, já que lhe reprovaram publica e acintosamente a compra dos eficientes Mercedes. É que está mais que visto que o pessoal que anda para aí provocadora e espalhafatosamente de Clio, como é o meu caso (e aqui dou o meu braço a torcer), é precisamente aquele que viveu durante anos a esbanjar e muito acima das suas possibilidades, pois de outro modo não compraria um "carro para ricos" e com gastos que se farta em manutenção e revisões. Ao comprar Mercedes para o seu Grupo Parlamentar, o PS e São Francisco de Assis, desculpem, Francisco Assis, se algumas dúvidas houvessem, separaram definitivamente as águas: sendo o PS um Partido popular e do povo... só Mercedes, o "carro dos pobres".

 

Se um dia o azar ou a má sorte me atirarem miseravelmente para a mó de baixo, por favor, nunca esquecer... automóveis só Mercedes!...

 

 

Bailinho da Madeira

O dia de ontem foi de Eleições na Madeira. Sem surpresa, o PSD mais uma vez obteve maioria absoluta e prepara-se para continuar o seu já longo domínio, agora sob a batuta de Miguel Albuquerque. Como é facto já conhecido, o anterior presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, jamais olhou a meios para fazer vingar a sua sempre espampanante e ruinosa política de investimentos, pelo que a mais imediata herança deste agora renovado executivo será uma astronómica dívida pública, uma economia estrangulada por centenas de falências em série e um elevado nível de desemprego. Agora que o fogacho da chocarreira pantomínia presidencial diária, com a saída definitiva de João Jardim, pelos vistos acabou, resta-nos finalmente esperar pela chegada da sempre dura "realidade" que vai representar o chamado "reajustamento", não sendo de duvidar quem no fundo vai ter que pagar mais uma vez as favas do esforço a realizar e ter que se chegar mais uma vez à frente com as "migalhas" surripiadas às suas já de si magras pensões e reformas. Isto para não mencionar as tão faladas "falcatruas" feitas às contas da Região Autónoma e o saber-se qual o papel que terá tido verdadeiramente o Governo de Passos Coelho no escamotear e dissimular do escândalo. Tirando estas "batatas quentes" que estão para vir e ainda irão dar muito que falar, estas eleições para o PSD foram um autêntico e corropiado... Bailinho da Madeira!...

 

E que dizer do apagado e cinzento PS, essa autêntica desilusão à escala da Madeira e de Portugal continental? É mais do que evidente que para o PS nada há a dizer e a acrescentar sobre a calamitosa situação em que nos encontramos, nem sobre os seus principais culpados (onde se inclui o próprio PS), nem tampouco sobre as propostas para fazer avançar os níveis de desenvolvimento do país. É que o PS e os seus dirigentes, pelos vistos, estão mais interessados em discutir e acertar com o PSD os despojos e os "tachos" sobrantes que vão aparecendo. Veja-se os casos da ida de António Vitorino para a EDP e de Teixeira dos Santos (Ministro das Finanças do Governo Sócrates) para o Montepio.

 

Para onde vamos com este PS?... 

 

 

Comentadores VIP

Sendo eu reconhecidamente um pretensioso comentador tacanho, obtuso e de meia tigela, não perco uma oportunidade de aprender com os mais vivaços do que eu e que têm já nome bem firme e assente na praça. Assim, é certo e sabido que jamais me recuso a ouvir, muito atentamente, os mais traquejados no ofício do que eu. Por isso, na SIC ouço e vejo sagradamente o eloquente Luís Marques Mendes, que no dia em que foi confrontado com a acusação que lhe foi feita de ter participado na "venda ilegal" de acções da Isohidra, rematou logo que efectivamente tinha sido gerente dessa empresa, mas que agora já não era. Acusado igualmente, uns tempos depois, de ter estado ligado à empresa JMF, investigada nos casos dos Vistos Gold, logo se defendeu que nunca exerceu funções de "gerência" na dita empresa, pelo que o caso lhe passava inteiramente ao lado. Assim, Luís Marques Mendes por enquanto tem saltado inteligentemente sobre o "fogo" comprometedor que o tem atingido... contudo não tem deixado de andar bem perto do respectivo "fumo".

 

Outro inteligente e escorregadio comentador, agora da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, sempre tem sabido falar o quanto baste do caso BES, quase parecendo que nada se tem passado e comentando o assunto com meias palavras e meias tintas, melhor ainda... nada dizendo de relevante. Claro que se juntarmos a isto o facto de a sua digníssima esposa ter feito parte da administração do BES e também a inadmissível coscuvilhice de que, todos os anos, eram favas contadas que Marcelo Rebelo de Sousa passava luxuosas férias na idílica mansão de Ricardo Salgado, no Brasil (José Maria Ricciardi), então aqui já começamos a perceber o porquê dos silêncios ou meias palavras do ilustre comentador sobre a telenovela BES.

 

Outro grande "artista" do comentário político que muito admiro, também da SIC, é o prolixo romancista e burilador da palavra Miguel Sousa Tavares, que quanto ao escândalo BES faz questão de nada querer dizer, apesar da relevância do assunto para o país e para o depauperado bolso dos portugueses. Claro que o facto se compreende melhor se tivermos em linha de conta que uma sua filha é casada precisamente com o filho de Ricardo Salgado, o célebre "dono disto tudo". É, pois, caso para dizer... honestidade intelectual a quanto obrigas. É igualmente muito interessante o facto de Miguel de Sousa Tavares ter dito no Jornal da Noite da SIC de segunda feira passada, dia 23, que estava de acordo com a "Lista VIP" instituída pelos manda-chuvas das Finanças, pois que isso do "princípio da igualdade" não significava que somos todos iguais, o que é verdade, e que neste caso quem devia ser protegido eram os "VIP's", pois que as informações fiscais dos pés-rapados a ninguém interessa. Para Miguel de Sousa Tavares, por conseguinte, ninguém tem nada que tentar saber como a "elite" tem amealhado fartamente os seus milhões, colocado grossas fatias do bolo ilegalmente em "offshores" e fugido ao Fisco e à Segurança Social como o diabo foge da cruz... temos é que os "proteger"!...

 

Nunca perco uma, pois, dos nossos escorregadios e desinteressados comentadores VIP... cada sessão das suas é muito melhor que um Mestrado e da mais intrínseca e esclarecedora sapiência que um Doutoramento.

 

 

Era uma vez um país que tinha os "cofres cheios" e que...

Era uma vez um país do sul da Europa que entregou a sua soberania a uns fedelhos apelidados de Troika e que, de um momento para o outro, tratou o seu próprio povo como um rebanho de carneiros ao serviço dos interesses da germânica preponderância. Nesse país viviam perto de dez milhões de pessoas com um nível de vida dos mais baixos do continente mas, mesmo assim, entenderam esses fedelhos, e seus representantes socialistas e sociais democratas no Governo, que a maioria da população vinha vivendo há muito tempo bastante acima das suas possibilidades e, vai daí, trataram logo de apertar o garrote a esses malditos consumidores compulsivos com impostos e mais impostos, impelindo-os à falência, ao desemprego e à emigração, em que só aqui foram mais de 300.000. Por tudo isto, a Ministra da Finanças desse país rejubila agora de contentamento, pois segundo diz está com os "cofres cheios".

 

Era ainda uma vez um pais do sul da Europa que vendeu a sua alma e a sua dignidade a uns bastardos especuladores apelidados de Troika e que, para pagar pontual e impreterivelmente as obrigações irreflectidamente assumidas, fechou Hospitais, Escolas, Centros de Saúde Tribunais, colocando assim em perigo a vida de milhares de pessoas, com doentes dias e dias a fio nos corredores dos Hospitais e a morrerem sem serem previamente assistidos pelos médicos, com milhares de alunos a desistirem de frequentar a Escola e a mais elementar Justiça a ser denegada a quem dela urgentemente carece. Com tanto desvio de recursos de áreas essenciais para o desenvolvimento desse país e para o bem estar da sua população, o nível de vida desse país recuou décadas atrás mas, mesmo assim,  a sua Ministra das Finanças continua na dela de que está confortavelmente com os "cofres cheios".

 

Ora, estando a maioria da população desse país presentemente de "cofres vazios" e mais de dois milhões de pessoas em pobreza extrema, só não dissemos ainda que país é esse. Não querem tentar adivinhar?...

 

 

Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

SOCIEDADE SEM CLASSES  -  Ainda não vai há muitos anos que andávamos para aqui todos a berrar que a grande aspiração do ser humano era atingir essa sociedade mítica sem classes, onde não mais veriamos a exploração do homem pelo homem. E muitos de nós acreditamos que tal dia chegaria, sim, pois que já havia chegado até a esses países então chamados de socialistas, ditos do leste. Aquilo é que era uma maravilha, pensavamos, em que cada um daria à sociedade o que podia e a sociedade nos daria o que necessitássemos. Mas depois lá abrimos os olhos e começamos a perceber, zum zum atrás de zum zum, que as coisas não eram bem assim e que sempre haverá alguém que se aproveita da sua posição de poder para tirar vantagens para si e para o clã que o suporta e apoia.

 

Claro que durante muito tempo a ideia da sociedade sem classes ganhou milhões de adeptos em muitos países, mas assim que os revolucionários "iluminados" chegaram ao poder e se viram acossados por milhares de "românticos" que acreditaram verdadeiramente na possibilidade de construção de uma sociedade livre, justa e sem classes, a realidade da vida veio ao de cima e os "iluminados", para se manterem no poder e usufruir regaladamente das respectivas vantagens materiais, eliminaram fisicamente os "românticos" e os que sobraram foram enviados para o "GULAG".

 

E assim mais uma vez veio ao de cima aquele célebre chavão de que "o poder corrompe", venha ele de onde vier, esteja ele onde estiver, e tanto mais depressa quanto esse "poder" não for rodeado dos necessários mecanismos de vigilância e escrutínio democrático

 

Alguém viu já por aí uma verdadeira ou pelo menos aproximada que seja... sociedade sem classes?... quando tal acontecer façam-me um grande favor... avisem-me!...