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russomanias

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Dicionário de Política para Tótós - de A a Z

FUNCIONÁRIO PÚBLICO - Isto de ser funcionário público em Portugal, como em tudo na vida, tem as suas vantagens e desvantagens. Antigamente, nos tempos da outra senhora, ser funcionário público era um pouco chato,  dado os ordenados geralmente baixos relativamente aos privados. Por outro lado, ser funcionário público era para toda a vida, com garantia de nunca entrar numa lista de despedimentos, e as reformasitas lá estavam garantidas na base do último ordenado. O que era assim um pouco estranho nesses tempos era todo o funcionário público ter de assinar um papelito a dizer que não pertencia ao Partido Comunista, coisa então assumida como alta traição, pois isto de mamar do Estado e, por outro lado, querer aboli-lo, não tinha pés nem cabeça.

 

Entretanto, sairam à rua esses tais de Capitães de Abril e o ambiente funcionalista começou a mudar. Os ordenados começaram enfim a subir, ultrapassando até, em muitos casos, os privados. Claro, a segurança no emprego para toda a vida manteve-se, assim como se mantiveram as restantes mordomias, como é o caso do direito adquirido de fazer cara de mal disposto quando se atende um cidadão, ou então demorar quinze dias a tratar de um assunto que qualquer um, numa empresa privada, trataria em duas horas, ou menos. Claro que inconvenientes também os há, pois o papelito a declarar que não se é membro ou simpatizante do Partido Comunista foi entretanto abolido, mas agora, em contrapartida, é necessário tacitamente provar que se é militante ou simpatizante do PSD, do PS ou do CDS, porque senão... é muito difícil aceder à função pública ou, pelo menos, chegar a um poleiro bem remunerado. Como atrás se disse, nem tudo é mel... alguns sapinhos há que engolir.

 

Presentemente, em tempos de austeridade e de salve-se quem puder, outros valores entretanto se levantam no outrora paraíso do funcionalismo público, e vir para o olho da rua mesmo sendo dos partidos do chamado "arco do poder" já não é novidade para ninguém. É que, em alturas de corte cego, como a que estamos agora, estas questões do quem fica ou não no bem bom passam por estruturas de poder de um nível muito mais alto e requintado, que por vezes escapam ao comum Zé Pacóvio... geralmente estudadas a compasso e avental.

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