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russomanias

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Merecida homenagem a dois Santos

Nasci numa família muito religiosa, católica, apostólica e romana, e desde tenra idade e até hoje que nunca me desliguei, apesar do meu afastamento da militância religiosa propriamente dita, de um certo pensamento e agir diário tendo em conta os muitos ensinamentos e princípios da acção católica que me foram transmitidos. Como pecador e simples ser humano que sou, acho que nunca procurei negar as minhas culpas, quando as tenho, e sempre tentei aceitar, não sem também contrariar, toda a dimensão de um viver diário carregado de naturais dificuldades, enganos, sonhos, aspirações, desejos, vitórias, ilusões, decepções, frustações, mas sempre, sempre com a esperança que o dia de amanhã será diferente, talvez melhor, que sempre haverá possibilidade de nos tornarmos pessoas boas, justas, simples, humildes, isentos de inveja e ódio em relação aos outros, por mais sórdidos que esses outros sejam.

 

Esta minha dimensão como homem foi-me transmitida pelos meus pais. Com a sua incomensurável sabedoria terrena, dedicação, bondade e simplicidade, sempre tiveram tempo para trabalhar arduamente, tratar dos seus seis filhos, de uma mão cheia de netos e outros que nem netos eram, a todos ajudando como podiam, sempre com boa cara, com boa disposição, sabendo-se lá contudo como estariam por dentro, sabendo-se lá por que dificuldades materiais e monetárias estariam a passar. E, com este empenhamento e trabalheira toda, ainda tinham tempo para rezar, para pedir a Deus que protegesse a sua familia e todas as pessoas que no mundo estivessem em dificuldades e sofrimento. E faziam isto todos os dias antes de se deitarem, religiosamente, com o terço na mão, nunca se esquecendo, quer chovesse ou fizesse sol, de frequentarem a Missa todos os domingos e dias santos para revigorarem as suas preces.

 

Mas meu pai e minha mãe não tinham somente princípios morais e religiosos que, apesar do meu distanciamento da militância católica, sempre me cativaram. Eles tinham igualmente princípios sociais e éticos que deixaram em mim marcas indeléveis que procuro hoje transmitir orgulhosamente aos meus filhos, e que eles seguem. O princípio da honestidade a toda a prova foi o que me deixou mais marcas. Meus pais nunca foram ricos, antes pelo contrário, mas sempre foram respeitados por aqueles que com eles acordaram e trataram por sempre terem cumprido escrupulosamente com os seus compromissos. No local onde quase sempre moraram um conhecido e respeitado comerciante de mercearia chegou até a dizer dos meus pais, à boca cheia, para quem o quizesse ouvir, que "confiava mais depressa um milhão de contos nas mãos deles que um simples escudo nas mãos de muitos ricos". Mas, além deste, outros importantes princípios me foram por eles transmitidos, como o da importância do trabalho, da pontualidade, da entreajuda, da amizade, da bondade, da misericórdia, da compaixão, da renúncia ao ódio e à inveja sobre todas as formas, do amor ilimitado aos mais próximos e necessitados.

 

Por tudo isto de bom que me transmitiram e ensinaram, meu querido Pai e minha querida Mãe, muito obrigado e...

 

 

                                                                                                                   DESCANSEM EM PAZ!...

 

 

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