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russomanias

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O português suave que não aguentou mais e ferrou o cão

Toda a gente conhece o cruzamento do Rego da Água, na freguesia da Madalena, Vila Nova de Gaia. Não sei se já repararam mas o local é servido por uma paragem de autocarros dos STCP. Aqui há uns anos deu-se por lá uma cena de bradar aos céus e de partir a moca e que para mim é, ainda hoje, um verdadeiro exempo do que deve ser um verdadeiro português suave. Num belo dia, logo pela manhãsinha, estava a dita paragem de autocarros no Rego da Água repleta de passageiros para apanhar o 57 para a Praça Almeida Garrett, no Porto. Homens, mulheres, crianças e idosos aguardavam, nervosos, a sua vez para poder entrar na viatura, que já se aproximava. Quando tudo parecia que ia correr pelo melhor, eis que aparece ali um corpulento cão a rosnar e a ameaçar raivosamente cada passageiro que tentasse subir as escadas para entrar. No café em frente, um ainda meio sonolento e pacato português suave observava a cena.

 

Todos os dias, pela manhã, na dita paragem, o assanhado "dog" repetia a dose e causava autênticos calafrios e medo a todos quantos usavam a dita paragem do autocarro para fazer seguir as suas duras vidas para a frente. De cada vez que se repetia a cena, lá estava o nosso português suave, em frente, a cofiar o seu bigode e a observar a aflição dos passageiros perante as arremetidas perigosas do cão. É que, pasme-se, todos tinham receio do bicho, e muito medo até, mas, como acontece tantas vezes neste belo país à beira mar esquecido... ninguém fazia nada!... e uma desgraça, todos falavam (só falavam, entendem!?...) um dia certamente aconteceria ali, na paragem do autocarro, em pleno Rego da Água. Mas um belo dia, preparava-se já o enorme bicho para ameaçar de novo o pessoal, eis que sai disparado do café em frente o agora decidido e imparável português suave, que corre, rápido, em direcção ao provocador e perigoso cão, atirando-se para cima dele e, ao mesmo tempo, agarrando-o no focinho, pregou-lhe de seguida com duas valentes ferradelas no pescoço. Perante a admiração e o espanto de toda a gente, ouviu-se um pungido e certamente doloroso... caín!... caín!... e o corpulento e raivoso cão lá se foi, para sempre, daquela paragem de autocarros, deixando de ameçar quem se não metia com ele.

 

Por isso, meus amigos, que jeito nos fariam nos dias de hoje uns quantos portugueses suaves com esta presença de espírito e deste calibre... é que, infelizmente para a maioria, andam para aí uns quantos "cães" raivosos a ladrar e a ameaçar sem terem razão!...

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