Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

russomanias

russomanias

A verdadeira austeridade... à maneira da minha rica avósinha!...

No tempo em que a minha rica avósinha era viva a austeridade era mesmo a sério... era todos os dias. Não era fartura de manhã e esbanjamento à tarde, era austeridade a toda a hora. Seis netos para alimentar era uma grande consumição e fortes dores de cabeça. E a austeridade não era para um neto ou dois... era para todos lá em casa, que com minha mãe, meu pai e minha avó somavamos nove. A austeridade de hoje em dia é só para alguns, para os que vivem do seu trabalho e das sua reformas, pois que esses que andam nessas TV's a propalar a austeridade estão bem resguardados e não prescindem das suas mordomias. Veja-se o caso do Ministro da Solidariedade e Segurança Social, o tal que chegou de "lambretta" e agora se passeia num confortável Mercedes. O homem não se satizfez em passar da "lambretta" para um Renault Clio ou para um Fiat Uno... não!... o homem teve logo que saltar, mal chegou ao Governo, de uma modesta "lambretta" para um espampanante e milionário carrão. Para quem é então a austeridade?... para o Zé pacóvio, claro!...

 

Não, no tempo da minha avósinha não era nada assim. Lembro-me muito bem do esforço que se fazia lá em casa para que o nosso estomago não andasse a dar horas, como eu via em tantos outros miúdos lá da rua. Tudo se aproveitava, todas as sobras guardadas para uma próxima refeição. Muitos dos pratos que eu hoje ainda adoro aprendi a gostar deles nesses tempos de rigorosa e diária austeridade. Era o bacalhau à espanhola, o bacalhau cozido, o bacalhau à Brás, o bacalhau à Gomes de Sá. Era a sopa de legumas, as torradas de sêmea com manteiga ao domingo de manhã, antes da missa. Havia também um aproveitamento de sobras que a minha avósinha fazia e que hoje, cá em casa, para além dos outros pratos, ainda faço. Trata-se do pastelão com brôa de milhouma iguaria parecida com a tortilha espanhola e que eu adoro. Aproveitavam-se as sobras de carnes, chouriços e batata cozida e cortava-se tudo aos bocadinhos, juntamente com cebola e salsa picada. Juntavam-se as sobras com a brôa de milho, esfarelada à mão, dentro de uma tijela, juntamente com a cebola e a salsa. Misturava-se tudo com cinco ou seis ovos batidos, gema e clara, e temperava-se com sal e um pouco de pimenta. Colocada a sertã ao lume e depois de devidamente aquecida, fazia-se como uma simples omelete, mas a toda a largura da sertã, como as tortilhas. Dava um triangulo para cada um dos netos... mas sabia a pouco. Humm... aviava já agora uma!...

 

Um dia desta semana vou lembrar os tempos de austeridade da minha rica avósinha com um pastelão com broa de milho, não só para alguns felizardos... mas para todos lá em casa.

          

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.